Fantasmas da crise voltam a assombrar e Bovespa desaba 4%

Recessão profunda e um sistema financeiro fraco, os fantasmas ligados à crise global que mais provocaram estragos nos mercados, voltaram a assombrar os investidores nesta quarta-feira e levaram a Bovespa à menor pontuação de fechamento em 2009. Arrastado por perdas expressivas de bancos e de empresas ligadas a matérias-primas, o Ibovespa despencou 3,95 por cento, para 37.981 pontos. A força vendedora teve lastro no giro financeiro da sessão, que somou 4,4 bilhões de reais, acima da média diária recente. O foco do pessimismo foi a notícia de que as vendas no varejo dos Estados Unidos caíram 2,7 por cento em dezembro, mostrando que os efeitos da crise sobre o consumo foram mais devastadores do que se imaginava. Essa leitura foi reforçada à tarde com a divulgação do Livro Bege, espécie de sumário macroeconômico do Federal Reserve. O documento apontou que a economia norte-americana continuou a se enfraquecer no início de 2009, com declínio nos mercados de trabalho e imobiliário e desaceleração do setor manufatureiro. Não bastasse o panorama macroeconômico sombrio, os investidores ainda se depararam com uma safra de notícias nada animadoras de bancos, incluindo um prejuízo de 6,4 bilhões de dólares do Deutsche Bank no final de 2008, previsão do Morgan Stanley de que o HSBC pode ser forçado a elevar capital e o temor de que o Citigroup tenha que buscar socorro do governo. O resultado foi outro dia de perdas pesadas nos mercados internacionais, desmontando as últimas fronteiras de otimismo em relação ao mercado acionário brasileiro. O Ibovespa chegou a acumular avanço de 12,7 por cento nas três primeiras sessões do ano, amparado pela forte entrada líquida de capital externo. "O investidor parece ter descoberto que o descasamento entre o que acontecia aqui e lá fora não fazia nenhum sentido", diz Hamilton Moreira, analista financeiro do BB Investimentos. Bancos e empresas de matérias-primas, justamente as que impulsionaram o Ibovespa no começo do mês, foram algumas das mais alvejadas por realização de lucros. No setor financeiro, a derrocada teve Unibanco na liderança, com queda de 7,7 por cento, a 13,58 reais. Entre os papéis ligados a commodities, os destaques negativos foram Gerdau, caindo 4,5 por cento, para 16 reais, e Usiminas, cedendo de 4,4 por cento, a 28,04 reais. As blue chips foram pelo mesmo caminho. Petrobras encolheu 2,7 por cento, a 23,30 reais, enquanto Vale perdeu 3,9 por cento, a 25,70 reais. Para completar, dados setoriais domésticos mostrando que os efeitos da crise internacional já se fazem sentir no Brasil empurraram ladeira abaixo papéis de companhias aéreas e de telefonia móvel.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

14 de janeiro de 2009 | 19h24

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