FAO estuda projeto para produzir alga no NE

Os representantes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) Amedeo Fredd, Mario Pedini e Manuel Martinez chegaram ao Brasil na manhã desta segunda-feira com o objetivo de analisar e conhecer o projeto de cultivo de algas no Nordeste.Além da FAO, o projeto é patrocinado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), com a colaboração do Ministério da Agricultura. O projeto concentra-se, inicialmente, no cultivo da espécie gracilaria, produtora de ágar, em Fortaleza (CE), Natal (RN) e João Pessoa (PB).O ágar-ágar é usado na produção de doces e geléias e como meio de cultura de microorganismos em laboratórios de pesquisas e análises bioquímicas.A segunda fase do projeto focalizará o cultivo de outras espécies de algas que possam fornecer extratos à indústria cosmética e carragena para fabricação de suco de frutas com polpa, achocolatados, iogurtes, sorvetes, rações úmidas para cães e carnes processadas e temperadas, como salsichas, lingüiças, apresuntados e patês.Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações do produto e seus derivados contabilizaram 2,5 mil toneladas e um faturamento de US$ 15 milhões em 2001.Segundo levantamento da Christo Manesco & Associados, empresa paulista contratada pela FAO para elaborar estudo para o projeto, o mercado de derivados de algas é promissor e tem crescido muito nos últimos anos, acompanhando especialmente o desenvolvimento dos setores lácteo e de carnes industrializadas, que têm apresentado desempenho acima da média do crescimento industrial do País.De acordo com Graziela M. Dias, da Christo, Manesco & Associados, responsável pela pesquisa, os dois objetivos principais do projeto são oferecer uma oportunidade de complementação de renda para as populações carentes da região e promover o cultivo de algas de modo social e ambientalmente sustentável, permitindo a formação de parcerias com empresas que buscam certificado de origem de matérias-primas e serviços em toda a cadeia produtiva.Geraldina Leonice de Almeida, consultora de comunicação do projeto e responsável pelo relacionamento com as comunidades, avalia que o cultivo de algas poderá representar um acréscimo de R$ 45,00 a R$ 120,00 no orçamento das famílias envolvidas no programa, o que, em alguns casos, significa dobrar a renda familiar."No Ceará, por exemplo, são comunidades que estão abaixo da linha de pobreza, sustentadas pelo tripé agricultura (feijão), pesca artesanal e artesanato (renda de bilro)."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.