FAO: protestos na África não têm relação com alimentos

A onda de protestos no Norte da África resulta de preocupações econômicas e políticas, e não da inflação dos alimentos, afirmou hoje a economista Liliana Balbi, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Assim como outras autoridades da FAO, ela avalia que os preços de bens essenciais permanecem estáveis em países norte-africanos, de modo que não podem ter sido o gatilho para os tumultos.

FILIPE DOMINGUES, Agencia Estado

28 de janeiro de 2011 | 19h02

"Com certeza esta agitação não está relacionada à elevação dos preços dos alimentos em geral", disse. "A alta dos preços internacionais de alimentos não foi transmitida para todos os países do mundo, como ocorreu em 2008." Ela observou que os preços do pão e de cereais, produtos importantes na região, subiram 3,8% na Tunísia e 2% na Argélia durante 2010. A inflação geral dos alimentos foi de 6% e 4,5% nos dois países, respectivamente. Enquanto isso, no Reino Unido a inflação dos alimentos foi de 5,3% no mesmo período.

No Egito, o maior importador mundial de trigo, o forte programa de subsídios do governo para o pão, destinado a 14,2 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza, também ajudou a manter os preços relativamente estáveis, apesar da alta nos mercados internacionais. "O custo desse programa é enorme, mas não é passado diretamente ao consumidor", explicou Balbi.

Outras autoridades globais, como o Banco Mundial, avaliam que a atual inflação dos alimentos não significa uma repetição da crise alimentar de 2007/08. O Banco Mundial afirmou que a elevação dos preços não foi transmitida aos mais pobres. As informações são da Dow Jones.

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