FAO vê 2ª temporada seguida de déficit mundial de oferta de cereais

Preços dos alimentos devem continuar elevados em 2012, exercendo pressão cada vez maior sobre os países importadores mais pobres, segundo a FAO

Gabriela Mello, da Agência Estado,

22 de junho de 2011 | 13h07

O mercado global de cereais enfrenta a segunda temporada consecutiva de déficit de oferta, conforme as projeções iniciais para as safras norte-americana e europeia neste ano foram "significativamente" reduzidas, dissipando expectativas de uma recuperação da produção mundial, informou nesta quarta-feira a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Os preços dos alimentos devem continuar elevados e voláteis em 2012, exercendo uma pressão cada vez maior sobre os países importadores mais pobres e causando dores de cabeça para os formuladores de políticas, segundo a FAO.

"Com a produção total de cereais em 2011 abaixo da utilização antecipada, os preços internacionais devem permanecer altos, especialmente nos mercados de trigo e grãos forrageiros [como o milho]", disse a organização.

Enquanto isso, ministros de Agricultura das 20 principais economias do mundo (G-20) se reúnem em Paris hoje e na quinta-feira para negociar um acordo sobre como melhor lidar com os preços quase recordes dos alimentos e conter a volatilidade.

A inflação dos alimentos tem sido culpada por desencadear uma onda de tumultos que abalou o mundo árabe neste ano, e a FAO advertiu que a Líbia, afetada por meses de levante popular, enfrenta uma séria escassez.

A entidade reduziu a estimativa da produção global de cereais em 2011/12 para 2,302 bilhões de toneladas, motivada por uma redução das safras nos Estados Unidos e na Europa.

A colheita mundial de trigo deve ficar bem abaixo da projeção anterior, atingindo 671 milhões de toneladas - sendo 134 milhões de toneladas na Europa - depois que uma seca reduziu a estimativa da produtividade. Contudo, o volume previsto ainda marca um aumento de 2,8% na comparação com 2010/11 devido à recuperação da produção na região do Mar Negro.

As reservas globais de cereais devem sofrer, como resultado, recuando para 486,2 milhões de toneladas, o que diminuirá a relação estoque/uso em 2,3%, para apenas 20,7%.

"Com os estoques de grãos ainda em níveis baixos, especialmente os do milho, os preços internacionais devem continuar não apenas elevados, mas também voláteis na temporada comercial 2011/12", informou o relatório.

Ainda assim, a FAO disse que um clima favorável indica que os países do Norte da África - incluindo o Egito, maior importador de trigo do mundo - provavelmente dependerão menos de oferta importadas. A produção do cereal deve subir 14% neste ano, para 18 milhões de toneladas, de acordo com a organização. As informações são da Dow Jones.

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