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Farmacêuticas nacionais querem produzir princípios ativos no País

Para diretor da Alanac, pandemia foi um gatilho para a indústria começar a trabalhar num projeto para fabricar insumos

Entrevista com

Henrique Tada, diretor executivo da Alanac

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 04h00

Nos anos 1980, o País chegou a ser o quinto fabricante de princípios ativos para indústria farmacêutica. Mas a produção nacional foi inviabilizada, com a abertura comercial. Resultado: China e Índia se tornaram os grandes produtores. Com a pandemia e a paralisação das atividades nos dois países, a indústria nacional de medicamentos, que responde por 50,5% das vendas de R$ 69,8 bilhões no varejo, sentiu o baque da dependência externa e começou a trabalhar num projeto para fabricar insumos aqui, diz Henrique Tada, diretor da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais. “Tudo indicava que esse bonde tínhamos perdido para sempre, mas a pandemia trouxe de volta.”

Qual foi o impacto da pandemia na indústria farmacêutica nacional?

Cerca de 90% das matérias-primas usadas para produzir os medicamentos são importadas. Os preços desses princípios ativos estão atrelados ao câmbio. Com o dólar que chegou a valer R$ 6 e depois recuou, tivemos matérias-primas que aumentaram até 300% em dólar. Também o custo do frete marítimo subiu porque as empresas de transporte pararam por causa da pandemia. Além da questão do custo, houve problemas de disponibilidade de matéria-prima porque a China e a Índia, que concentram a produção de princípios ativos, pararam. Hoje a situação caminha para a normalidade, mas os preços são outros.

Qual foi a reação do setor?

Diante da franca dependência das matérias-primas importadas da China e da Índia, a indústria nacional desenhou um projeto bem interessante com o governo federal para voltar a produzir as matérias-primas aqui. Tudo indicava que esse bonde tínhamos perdido para sempre, mas a pandemia trouxe de volta.

Em que pé está o projeto?

Está em fase de discussão, cerca de dez laboratórios devem participar. Antes, tinham empresas com projetos individuais, mas não havia ambiente favorável para serem implementados. Agora, o setor despertou para o problema e também está no jogo o apoio do governo, com leis específicas e redução de impostos.

Como estão as negociações?

Fizemos várias reuniões com os Ministérios da Fazenda, da Ciência e Tecnologia e da Saúde. Foi um tema que a pandemia trouxe de volta e estamos tratando para que realmente esse projeto aconteça. Temos capacidade técnica para fabricar os princípios ativos. O que faltava era vontade, projeto e condições econômicas favoráveis para implementação.

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