Farmácias reduzem descontos com alta do dólar

O consumidor de medicamentos continua sentindo os efeitos das altas cotações do dólar e do congelamento dos preços. Estes fatores, aliados, estão levando as farmácias e drogarias a reduzirem os descontos oferecidos ao consumidor. De acordo com a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), os descontos, que antes estavam em 30%, agora estão em torno de 6%.O presidente da ABCFarma, Pedro Zidoi, avisa que os descontos para os aposentados, que antes eram de 15%, em média, passaram para 8%. Ele afirma que a redução de descontos é o reflexo da alta do dólar no preço da matéria-prima dos medicamentos produzidos por laboratórios brasileiros. "Os descontos passaram a ser reduzidos desde o ano passado pois, além da alta do dólar, as farmácias passaram a pagar um imposto maior pela venda de medicamentos", explica.Predro Zidoi, que também preside o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sincofarma-SP), afirma que os laboratórios e distribuidoras, pressionados pelas altas cotações da moeda norte-americana, reduzem cada vez mais as vantagens ao consumidor e cortam gastos com publicidade e funcionários. "As empresas estão reduzindo os descontos em função da pressão da alta do dólar sobre os insumos importados", alerta.Genéricos também sofrem com alta do dólarOs medicamentos genéricos também estão sofrendo uma redução de seus descontos ao consumidor final, por conta da disparada do dólar, que em vários dias atravessou a barreira dos R$ 3,70. O Grupo Pró Genéricos, entidade que representa 20 laboratórios do setor, informa em nota enviada pela Assessoria de Imprensa que "a promoção de descontos com redução na margem de lucro dos medicamentos e as diferentes estratégias de vendas e marketing adotadas pelas empresas de genéricos estão mudando o cenário farmacêutico atual e que favorecem, em última instância o consumidor, correm o risco de desaparecer".Febrafarma aponta defasagem de 15% A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) informou, através de sua Assessoria de Imprensa, que a defasagem do preço dos medicamentos, por causa da disparada do dólar, varia de 15% a 18%. A principal dificuldade das empresas são os custos de produção, em função da alta de preços para a matéria-prima importada. A Febrafarma já solicitou à Câmara de Medicamentos do Ministério da Saúde (Camed), em junho, um reajuste de 7%, que não foi aceito pelo governo. Este pedido fora calculado com base numa cotação média mensal do dólar a R$ 2,65. Os reajustes de preços dos medicamentos no Brasil são controlados pelo governo e vêm sendo concedidos apenas uma vez por ano. Os preços estão congelados desde o último reajuste autorizado pelo governo, de 4,32%, em janeiro deste ano. Assim como a Febrafarma, o Grupo Pró Genéricos, também reivindicou junto ao governo reajuste extraordinário dos preços dos genéricos. A entidade avisa que também está sofrendo com defasagem dos preços de seus produtos. " A recente disparada da cotação do dólar, provocada pelas incertezas do mercado financeiro, está onerando significativamente também a indústria de genéricos, e pode inviabilizá-la, pois a maioria dos medicamentos depende de matérias-primas importadas ou de produtos importados já prontos", avisa a entidade em nota oficial.De acordo com a Assessoria de Imprensa da (Camed), o governo não deve autorizar nenhum reajuste nos preços dos remédios até o dia 31 de dezembro. Também, segunda a Assessoria, não está realizando nenhum tipo de reunião com as entidades do setor para discutir o assunto.

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