FAT: governo quer escolher bancos gestores

O governo vai apresentar na próxima reunião do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) uma proposta polêmica: transferir para o Executivo a decisão sobre quais bancos administrarão os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que deverão chegar a R$ 15,5 bilhões este ano. Hoje, essa decisão é tomada pelo Codefat, do qual participam, além do governo, representantes dos trabalhadores e dos empresários, que discutem cada projeto a ser financiado e decidem qual banco o operará."Eles querem promover uma verdadeira farra do boi", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Ele disse que a central sindical que dirige não vai abrir mão da análise dos projetos para ver se eles realmente estão dando sua contrapartida social. "É dinheiro dos trabalhadores", argumentou.O Codefat tem por tradição só aprovar as resoluções por unanimidade. Essa tradição pode cair na quinta feira, se até lá as divergências entre os representantes não forem superadas. Os trabalhadores concordam com parte da proposta do governo, que prevê a aprovação de um orçamento anual de liberação dos recursos do FAT. Atualmente, essa decisão é tomada a cada dois meses. "Teremos uma visão mais completa do quadro que muitas vezes é prejudicada com a aprovação esparsa de recursos e programas", disse um representante. O ponto de discórdia é o que deixa a cargo da secretaria executiva do Codefat, formada por técnicos do Ministério do Trabalho, a decisão de escolher qual banco vai receber o recurso para aplicar nos programas previamente aprovados pelo conselho. De acordo com os trabalhadores, a alegação do governo é que essa mudança pode levar a um desembolso mais rápido para a execução dos programas. Os trabalhadores, porém, argumentam que a concorrência entre os bancos oficiais federais pelos recursos é benéfica. "Eles têm que apresentar a demanda e o tipo de projeto para aprovação do Codefat", disse um representante. De acordo com os trabalhadores, essa exigência dá condições ao Codefat de verificar se o dinheiro está sendo aplicado em empresas comprometidas na geração de emprego e renda, e se o banco está sendo eficiente na execução do programa.

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