Fatia de produtos importados no consumo é recorde

Baixa competitividade da indústria nacional e câmbio elevaram participação para 21,8% no 2º trimestre, apontam dados da CNI

LAÍS ALEGRETTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2014 | 02h03

A participação dos produtos estrangeiros no consumo interno nacional bateu recorde ao atingir 21,8% no segundo trimestre, apontou pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada ontem. É a maior proporção desde 2007, quando a pesquisa teve início.

O resultado reflete, segundo a CNI, o efeito do nível do câmbio e a falta de competitividade da indústria brasileira. O chamado coeficiente de penetração das importações aumentou 1,2 ponto porcentual em relação à participação de 20,6% registrada no mesmo período do ano passado.

Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando a participação dos importados no consumo interno foi de 21,7%, a elevação foi de apenas 0,1 ponto porcentual.

Apesar da trajetória de alta do indicador até o primeiro semestre, o gerente executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca, aposta que a participação de produtos estrangeiros no consumo nacional começará a cair a partir do próximo trimestre.

"A tendência de crescimento deve acabar. Nossa expectativa é que o efeito da desvalorização cambial se intensifique na decisão de importar e esse indicador comece a cair. Está mais caro importar", disse Fonseca.

Além do efeito do câmbio, segundo Fonseca, o alto índice de consumo de produtos importados registrado neste ano também reflete a falta de força da indústria nacional. "No mercado interno, você perde espaço para os importados, que ainda conseguem entrar, mesmo com a desvalorização do câmbio", afirmou.

Na indústria de transformação, o coeficiente de penetração das importações ficou em 20,3% no primeiro trimestre, um pouco acima dos 20,2% registrados nos primeiros três meses do ano.

Na indústria extrativa, a participação das importações ficou em 49,9%, resultado inferior aos 50,1% registrados no primeiro trimestre.

Vendas externas. O coeficiente de exportação da indústria, que mede a participação das vendas externas no valor da produção industrial, ficou em 19,2% no segundo trimestre deste ano - uma alta de 0,5 ponto porcentual na comparação com igual período de 2013. Em relação ao primeiro trimestre do ano, houve uma alta modesta, de 0,1 ponto porcentual.

Renato da Fonseca afirmou, ainda, que o índice das exportações só não recuou por causa do efeito do encarecimento do dólar. Na avaliação dele, a tendência é que o coeficiente de exportação também comece a cair no próximo trimestre, diante do atual quadro do comércio exterior brasileiro.

Na indústria de transformação, o coeficiente de exportação ficou em 15,5% pelo terceiro trimestre consecutivo. Na indústria extrativa, a proporção é muito maior, de 65,1% - mesmo valor do trimestre imediatamente anterior.

Os coeficientes de abertura comercial são feitos em parceria da CNI com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e são calculados com base nas estatísticas de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Por isso, há necessidade de recalcular os dados. O coeficiente de penetração das importações do primeiro trimestre, por exemplo, foi revisado de 22,5% para 21,7%.

Atratividade. A pesquisa mostra, na avaliação da CNI, que as importações continuam ganhando relevância no mercado interno, mas o mercado externo não ganha importância para as empresas brasileiras.

Entre as áreas da indústria de transformação, o maior coeficiente de exportação é do item "outros equipamentos de transporte", com 73,3%.

Em seguida, aparece a área de "fumo", com 48,3%. Por outro lado, os menores índices são de impressão e reprodução, com 0,8%, e de vestuário, com 1%.

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