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Fatia do investimento estrangeiro cresceu 81%

Aplicações de brasileiros no exterior avançaram 147% de 2001 a 2007, diz relatório da Sobeet; vulnerabilidade externa do País é bem menor

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Nos últimos seis anos, a participação de investidores estrangeiros no Brasil cresceu 81%. Na direção oposta, o estoque de investimentos brasileiros no exterior aumentou 147%. Os dados mostram uma tendência de forte internacionalização da economia brasileira, segundo estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet). De 2001 a março de 2007, o estoque de investimentos estrangeiros no Brasil passou de US$ 372,06 bilhões para US$ 673,69 bilhões. Esse valor inclui investimentos diretos (IED, voltados à produção) e aplicações em ações e títulos de dívida, entre outros ativos. Em termos líquidos, porém, o chamado passivo externo do País avançou menos: 54,4%. Isto porque os investimentos de brasileiros no exterior (ativo externo) mais que dobraram, passando de US$ 107,1 bilhões para US$ 264,6 bilhões em março de 2007, última posição divulgada pelo Banco Central (BC). "Se a liberalização financeira permitiu a ampliação do passivo externo brasileiro, o mesmo movimento também foi verificado em relação aos ativos detidos por brasileiros no exterior, cuja expansão foi de 147,1%", diz relatório da entidade. A Sobeet analisa o período porque, a partir de 2000, várias medidas legais foram adotadas para ampliar a abertura financeira do País, facilitando a vida de investidores estrangeiros e brasileiros. O documento destaca que, no período, o estoque de investimentos estrangeiros no Brasil em ações e títulos, que são mais voláteis, cresceu 115%, enquanto o de investimentos na produção, mais estáveis, subiu 111%. Apesar da maior presença de estrangeiros na economia, que acarreta o risco de maiores saídas de capital do País no futuro, a Sobeet avalia que a vulnerabilidade externa brasileira se reduziu de forma "inegável". Entre os motivos dessa queda, o documento destaca o significativo aumento de reservas internacionais, permitido pelos grandes saldos da balança comercial e pelo fluxo intenso de capitais financeiros. Mas a Sobeet lembra que isso teve custos. "Apesar de crucial para a redução da vulnerabilidade externa, o acúmulo de reservas envolve um custo fiscal por conta do diferencial entre as taxas de juros interna e externa", diz o documento. Para comprar dólares, o governo emite títulos que pagam juros mais elevados do que os obtidos com a a aplicação das reservas. Apesar disso, a Sobeet avalia que a política de acúmulo de reservas é "desejável", pois amplia a capacidade de enfrentar volatilidades no câmbio.BAIXO RISCOA entidade considera que, enquanto persistirem saldos comerciais elevados e superávit em conta corrente (resultado da balança comercial e das movimentações de serviços e rendas com o exterior), o expressivo aumento da presença de estrangeiros não será destacado como motivo de preocupação nas análises econômicas. "O que não significa a falta de importância do risco implícito."A Sobeet também avalia que o crescente fluxo de capitais para o Brasil determinou a valorização do real nesses anos. Isso levou à queda da inflação, proporcionou maior disponibilidade de produtos no mercado brasileiro e aumentou o poder de compra das famílias.Outra conseqüência da maior abertura do País foi a aproximação dos movimentos econômicos nacionais e internacionais. "Pode-se afirmar que houve estreitamento entre a dinâmica dos ciclos econômico-financeiros internacionais e a economia brasileira", observa a Sobeet.

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