Fator pagará multa por uso de informação privilegiada

Pela primeira vez na história financeira do País, uma empresa gestora de fundos de investimentos, a Fator Administração de Recursos, foi punida por uso de informação privilegiada (insider information). A Fator terá de pagar multa de R$ 600 mil. Seu principal executivo, Walter Appel, além da multa máxima prevista para pessoa física, R$ 500 mil, teve cassada a autorização para atuar no mercado financeiro.O caso refere-se ao vazamento de informações durante o processo de privatização da Companhia Paranaense de Eletricidade (Copel), em 2001. A Fator e Appel ganharam com movimentações de compra e venda de ações feitas a partir de informações de bastidores. A Fator trabalhava na formatação da venda da Copel, a serviço do BNDES. Ficou constatado que a Fator foi responsável por 30% da compra de papéis ordinários da companhia no dia em que foi decidida a oferta pública. Treze dias depois, quando foi publicado fato relevante para anunciar que a privatização iria incluir uma oferta pública, a gestora voltou à Bovespa com 25% das compras do dia das ações da Copel. Fora dessas datas, a Fator praticamente não fez movimentações com títulos da companhia.Durante o julgamento, o presidente da CVM, Marcelo Trindade, criticou os procedimentos de "chinese wall" adotados pelo grupo Fator. O jargão é usado no mercado financeiro para caracterizar a atuação independente entre setores de um banco. "O órgão regulador no mundo inteiro não acredita em coincidência, nem em Papai Noel", ironizou Trindade. Segundo ele, informações relevantes como essas não passariam despercebidas "nem pelos mais ingênuos operadores de mercado, muito menos aos experientes sócios do grupo Fator".Em nota, a direção do Banco Fator afirmou que irá recorrer da decisão. "A FAR (Fator Administradora de Recursos) e o Sr. Walter Appel, assim como as demais instituições financeiras Fator, preocupam-se permanentemente com a observância rigorosa das leis e regulamentos que regem as respectivas atividades", diz a nota.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.