Fator Relevante

O grupo Gazin vai fincar um pé no Paraguai

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

O empresário Mário Valério Gazin, 61 anos de idade, fundador da holding que controla a rede paranaense de lojas de móveis e eletrodomésticos Gazin, três fábricas de colchão e estofados, uma financeira, uma empresa de seguros e consórcio, interrompeu os estudos na primeira série do ensino fundamental. "Tive de parar com os estudos para ajudar meu pai no cultivo do café", diz Gazin, o primogênito de uma família de lavradores pobres. A falta de educação formal, ainda perceptível no modo de falar, porém, não o impediu de construir um dos maiores impérios do varejo do País, com cerca de 160 lojas espalhadas por nove Estados e faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2009.

Com 43 anos de existência, a Gazin, baseada em Douradina, no norte do Paraná, se prepara para dar o seu primeiro passo internacional: até o final de 2011, a empresa pretende fincar um pé no Paraguai, onde projeta abrir 40 lojas de móveis e eletrodomésticos, num investimento de US$ 25 milhões. "Precisamos entrar com a operação completa", afirma Gazin. "O varejo paraguaio é muito dinâmico."

A internacionalização via Paraguai é mais um estágio da estratégia de negócios que a Gazin acabou desenvolvendo ao longo dos anos para acompanhar o êxodo de seus clientes. O movimento teve início em 1975, quando a chamada "geada negra" devastou os cafezais do norte do Paraná, levando milhares de agricultores da região a buscar alternativas no Centro-Oeste e no Norte do País. A Gazin seguiu a corrente migratória e hoje é uma das mais fortes varejistas nessas regiões, povoadas pelos descendentes dos sulistas. Na verdade, hoje o Paraná abriga apenas o QG da Gazin e duas lojas próprias. Curiosamente, nenhuma delas está localizada na capital Curitiba. Gazin prefere atuar no Estado apenas com o atacado de colchões e estofados. "Para nós, a operação atacadista é mais rentável no Paraná", diz Gazin. Em contrapartida, há 66 lojas no Mato Grosso, 35 no Mato Grosso do Sul e 41 em Rondônia, entre outras.

Obsessão por resultados. À época do êxodo, Douradina tinha 30 mil habitantes, quatro vezes mais do que os 7,2 mil habitantes que vivem lá atualmente. O Paraguai também acabou absorvendo boa parte desse fluxo. Hoje, estima-se que cerca de 500 mil brasileiros vivam no país, um pouco menos de 10% da população de cerca de 6 milhões de habitantes.

O reforço da operação paraguaia vai contribuir com a meta de Gazin de dobrar seu faturamento para perto de R$ 2,5 bilhões até 2014. A obsessão de Gazin com os resultados beira o cômico: todo fim de ano, ele entrega a seus funcionários calcinhas e cuecas gravadas com os objetivos de lucro e faturamento da empresa para o exercício seguinte. Em 2010, a roupa íntima veio bordada com R$ 120 milhões em vendas por mês, R$ 1,44 bilhão no ano e lucro equivalente a 3,5% do faturamento. Também são afixados cartazes com os objetivos para refrescar a memória dos funcionários nas paredes dos banheiros e corredores da sede.

Se a meta for concretizada, a recompensa deste ano é uma passagem aérea com destino aberto para qualquer lugar do mundo. Gazin já presenteou os funcionários com carros e motos. "Os 300 funcionários que mais ajudarem a atingir as metas recebem o prêmio", diz Gazin, que emprega mais de 4 mil pessoas em seu grupo.

Segundo Gazin, que divide em partes iguais o controle do grupo com cinco irmãos, a concentração do varejo brasileiro - cujo lance mais recente foi a compra da Lojas Maia, da Paraíba, pelo Magazine Luiza na semana passada - não deverá afetar a empresa, pelo menos a curto e médio prazos. "Há cinco anos, o Ponto Frio me fez uma proposta, mas não aceitou o que pedi", afirma Gazin. Ultimamente, diz ele, ninguém o tem procurado. "Só querem comprar empresa doente e nós não estamos doentes."

BOI NA LINHA

US$ 1,5 bi

é o quanto a Apple deverá gastar com o recall das antenas do iPhone4, que apresentam problema na recepção das ligações telefônicas

ENERGIA ALTERNATIVA

Grupo paranaense investe R$ 3,1 bilhões em usinas

A EPP - Empresa Paranaense de Participações - vai investir R$ 3,1 bilhões em energias alternativas até 2013. Com projetos para construção de 13 pequenas hidrelétricas (PCHs), no Paraná, e de quatro parques eólicos na região do semiárido da Bahia, a empresa pretende atingir uma capacidade de geração de energia de 733 MW nos próximos quatro anos, 211 MW provenientes das PCHs e 555 MW de origem eólica. "Temos uma das maiores carteiras de investimentos em energia de fontes alternativas do País", afirma Luis Fernando Cordeiro, presidente-executivo da EPP. "Nossos parques eólicos estão localizados em uma das regiões com maior potencial de vento no Brasil, e nossas PCHs se concentram estrategicamente no Paraná, que oferece um dos maiores potenciais hidrelétricos."

Entre os acionistas da EPP figuram os empresários João Elisio Ferraz de Campos, ex-governador do Paraná, Wilson Dalara, presidente da ALL Logística, e Carlos Gamboa, ex-sócio do fundo de private equity 3G Capital.

INVESTIMENTO

Abril Educação vai às compras

O apetite da Abril Educação, da família do empresário Roberto Civita, pelo setor de ensino não deve se esgotar com a compra do controle do Anglo, de São Paulo, anunciado na terça-feira,13, numa acirrada disputa que envolveu concorrentes do naipe da inglesa Pearson e da espanhola Santillana. Segundo fontes próximas aos Civita, até o final de julho deverá ser fechado um novo negócio - estão no foco da Abril Educação ramos como o ensino profissionalizante e à distância, além de cursos de idiomas.

IMÓVEIS

Brasil Brokers amplia atuação no interior de SP

A DelForte Frema, subsidiária da corretora imobiliária Brasil Brokers, formada recentemente para atuar no mercado paulista, está de olho no interior do Estado. Depois de iniciar operações em São José dos Campos, São Caetano do Sul e Alphaville, a DelForte Frema está chegando a Ribeirão Preto, polo da região conhecida como a Califórnia brasileira. "Ribeirão é uma das cidades mais promissoras do Estado" diz José Roberto Federighi, vice-presidente comercial e de operações da DelForte Frema. Segundo ele, nos últimos três anos, foram lançadas 7 mil unidades de imóveis residenciais em Ribeirão Preto, cidade com população de 560 mil habitantes, contra 30 mil lançados na Grande São Paulo, onde vivem 19 milhões de pessoas. São Paulo responde por 60% dos negócios da Brasil Brokers, que está presente em 14 Estados brasileiros e intermediou negócios da ordem de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

PRESIDENCIÁVEIS

Serra fecha ciclo de debates do Lide

O candidato do PSDB, José Serra, deverá encerrar o ciclo de palestras com os presidenciáveis organizado pelo Lide - Grupo de Líderes Empresariais, do empresário João Dória Jr. No encontro, marcado para o próximo dia 26 de julho, no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, Serra falará sobre seu Programa de Desenvolvimento Sustentável para o Brasil. Antes de Serra, Marina Silva, do PV, e Dilma Rousseff, do PT, também debateram com os empresários.

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