Fator Relevante

A Mormaii quer surfar com carros e alimentos

Clayton Netz, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Aos 61 anos, o empresário gaúcho Marco Aurélio Raymundo, fundador da Mormaii, uma das maiores marcas de artigos de surfe do mundo, acaba de voltar de uma viagem de dois meses em seu barco, o Destino Azul, pelas ilhas de Sumatra e Java, na Oceania. No fim do ano, Morongo, como é mais conhecido, prepara-se para mais uma longa temporada de surfe no Havaí. Em contraste com a vida aparentemente mansa de seu controlador, que já passou um ano sem pisar na sede da empresa, em Garopaba, no litoral catarinense, a Mormaii é um negócio nervoso, com uma vasta gama de projetos engatilhados. Sua logomarca está presente em mais de 80 países e está estampada em quadro de bicicletas até em óculos e confecções. O faturamento deve atingir R$ 335 milhões neste ano e chegar a R$ 380 milhões em 2011. "Historicamente, temos crescido entre 15% e 30%", diz Morongo.

Um dos projetos mais recentes da Mormaii é o lançamento de uma linha de alimentos naturais para atletas. "Mas não é pra ficar bombadão", diz Morongo. Outro lançamento ocorre no Salão do Automóvel, que começa nesta semana, em São Paulo: um utilitário 4 x 4 fabricado pela japonesa Suzuki com a marca da Mormaii, dotado de um chuveiro para o surfista se enxaguar depois de sair do mar. "É um veículo adequado ao estilo de nosso público, mas não esperamos grandes volumes de venda", diz Morongo. A linha Mormaii também ganhará o reforço de uma cesta de 49 produtos cosméticos e de águas saborizadas, que chegarão ao mercado depois do carnaval de 2011. "Existe uma infinidade de produtos em que podemos licenciar nossa marca", diz. "O mais difícil é saber no que apostar, pois precisamos alinhar o marketing."

Morongo se formou em medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul no início da década de 1970 e rumou, como muitos gaúchos em busca de qualidade de vida, para Santa Catarina. "Há médicos que resolvem ir para a Amazônia", diz. "Vim para Garopaba, que na época era uma vila de pescadores sem luz nem água encanada." A ideia de produzir roupas para surfar nas águas frias das praias de Santa Catarina surgiu por necessidade do próprio Morongo, que inicialmente utilizava borracha de câmara de pneu como matéria-prima de seus macacões. Com o tempo, amigos passaram a se interessar pelo "produto" artesanal, dando origem à Mormaii - derivação de Morongo, do nome de sua primeira mulher, Maira, e Havaí -, criada para a produção desses artigos.

Daí para o início da fabricação de linhas do chamado surfwear, como bermudas, camisetas e agasalhos, levou quase dez anos. A iniciativa partiu de empresários interessados em agregar a seus produtos a marca da Mormaii. "Nunca procuramos ninguém", diz Morongo, que conta com a atual mulher, Marisa, e os filhos Tainá e Flavius, no dia a dia da empresa. "As pessoas vieram bater na minha porta e o negócio está dando dinheiro para todo mundo." Atualmente, a Mormaii mantém apenas uma fábrica própria, em Garopaba, que produz roupas de neoprene e artigos para o surfe, como o leash, corda que mantém o surfista preso à prancha. O restante dos produtos é fabricado por uma rede de mais de 30 fornecedores.

FEIRA

Futurecom pode virar ato político

Promete transformar-se num ato político a abertura da Futurecom, maior feira de telecomunicações e tecnologia da informação da America Latina, marcada para esta segunda-feira, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Além da presença de figuras da oposição, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito Gilberto Kassab, a viúva do ex-ministro Sérgio Motta, Vilma Motta, e o governador Alberto Goldman, está previsto um discurso inflamado e recheado de críticas ao governo federal do empresário Laudálio Veiga Filho, promotor do Futurecom.

Segundo um dos trechos adiantados por sua assessoria, Veiga Filho fará previsões sombrias sobre o futuro próximo do País: "A jovem democracia brasileira está em permanente estado de apreensão, tantos são os sobressaltos pelos quais tem passado, do perigosíssimo clientelismo ao risco de uma ditadura branca, qual seja a conquista dos votos dos menos favorecidos", dirá.

PREVISÃO

Brasil será quinta economia em 2050

Em 40 anos o Brasil será a quinta economia do mundo, imediatamente depois da China, Estados Unidos, Índia e Japão. Nesse tempo, os brasileiros estarão prontos para superar os japoneses. Nenhum país europeu estará entre os cinco grandes. O Brasil terá assumido a condição de potência dominante no Atlântico Sul, projetando influência na África e, claro, em toda a América Latina, com respaldo em eficiente diplomacia e poderosas Forças Armadas. A previsão está no livro The World in 2050, de Laurence Smith, um best- seller nos Estados Unidos. Vai sair no Brasil, em português, nos primeiros dias de novembro.

CARTEIRA ASSINADA

Setor de serviços gera mais empregos no País

O setor de serviços está liderando a geração de postos de trabalho com carteira assinada em 2010 no Brasil. De acordo com os dados oficiais do governo, o acumulado do ano é de 774.068 empregos, equivalente a 35% do total gerado nos primeiros nove meses do ano. "Essa performance reflete a capacidade de rápida resposta que o segmento é capaz de produzir, mesmo em situação de crise", afirma Luigi Nese, presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS). Segundo Nese, a atividade registrou, ainda, a maior média salarial do setor de serviços, de R$ 1.947 mensais.

ENERGIA ELÉTRICA

Com dinheiro do BNDES, Gerdau constrói usinas

O Gerdau, um dos maiores grupos siderúrgicos do País, investiu R$ 670 milhões na construção das hidrelétricas Barra dos Coqueiros e Caçu, localizadas nos municípios de Cachoeira Alta e Caçu, em Goiás, inauguradas na semana passada. Do total, o BNDES contribuiu com nada menos de R$ 502 milhões. O restante foi completado pelo grupo gaúcho. A energia produzida em Goiás será integrada ao sistema energético nacional e repassada para a Gerdau, quando necessário.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.