Fatores externos e inflação preocupam mercado

Incertezas em relação à situação econômica da Argentina e a alta no preço do petróleo influenciaram o mercado financeiro brasileiro ontem. Desde o dia 31 de julho, o barril do óleo tipo Brent para entrega em setembro subiu 20,2%. No caso da Argentina, o governo daquele país desistiu de realizar captações no mercado internacional, devido à baixa demanda pelos papéis argentinos. A tendência é que esse cenário de incerteza se repita hoje.Isso porque ambos os fatores têm reflexos no Brasil. A alta no preço do petróleo pode pressionar os índices inflacionários, que vêm se mostrando mais altos desde o mês passado. Ontem foi divulgada a segunda prévia de agosto do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M). O resultado foi uma alta de 2,05%, ante 1,58% da primeira prévia do mês e 1,04% da Segunda prévia de julho (veja mais informações no link abaixo). Esse cenário começa a mudar a expectativa dos analistas em relação a um novo corte da taxa básica de juros - Selic. Esperava-se que na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nos dias 22 e 23 de agosto, a taxa fosse reduzida dos atuais 16,5% ao ano para 16% ao ano. Porém, a expectativa começa a mudar para a manutenção da Selic no patamar atual. O que permanece entre os analistas é a previsão de que a Selic feche esse ano em 15,5% ao ano.Juros continuam subindoNos últimos dias, as taxas de juros de contratos futuros apresentaram uma pequena elevação. Ontem os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagavam juros de 17,170% ao ano, frente a 16,900% pagos na terça-feira. Hoje começaram o dia em 17,220% ao ano.Analistas explicam que essa alta é apenas uma adequação das taxas que estavam caindo muito no início do mês. Esse movimento estava acontecendo porque havia um crescimento da expectativa de que a Selic fosse reduzida na próxima reunião do Copom. Em conseqüência disso, os investidores estavam pagando taxas em contratos de um ano semelhantes às taxas negociadas nos contratos diários. Argentina e petróleo também influenciam Bolsa e câmbioTambém a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) refletiu a mudança do humor dos investidores. A situação da Argentina prejudica a imagem de todos os países da América Latina, inclusive o Brasil. Contudo, uma notícia divulgada hoje pode reverter, em parte, essa instabilidade do mercado, pelo menos em relação a esse assunto. Conforme apurou o editor Josué Leonel, a Argentina está emitindo o bônus em euros de 7 anos cujo lançamento teria sido adiado ontem. Há pouco, a Bolsa operava em alta de 0,27%. Também os investidores do mercado de câmbio devem demonstrar cautela hoje. A moeda norte-americana chegou a subir ontem 0,30%, sendo negociada a R$ 1,813, o nível mais alto desde 13 de julho. O dólar abriu o dia cotado a R$ 1,8120 na ponta de venda dos negócios. Trata-se de uma pequena queda de 0,06% em relação ao patamar de negociação das últimas operações de ontem.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2000 | 10h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.