Fatores que influenciam o câmbio são globais, diz Meirelles

Segundo presidente do Banco Central, medidas anunciadas anteriormente pela instituição financeira não têm como objetivo influenciar a taxa de câmbio do País

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h46

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira, 18, que a sociedade e os agentes de mercado precisam compreender que a trajetória do câmbio tem sido influenciada por movimentos globais. Nesta segunda, o dólar atingiu mais um recorde de baixa, chegando a ser cotado a R$ 1,899 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), patamar mais baixo desde 2000. "É preciso entender que os fatores hoje no Brasil, uma economia globalizada, são globais e que eventos no mundo influenciam as cotações no mercado local", disse.Ele voltou a esclarecer que as medidas cambiais editadas pelo órgão na semana passada não tinham como objetivo influenciar a taxa de câmbio. "Anunciamos uma nota à imprensa com medidas prudenciais. A nossa expectativa não era ter qualquer tipo de influência sobre o câmbio", afirmou, ressaltando que a discussão sobre o efeito nulo das medidas sobre o dólar foram frutos da necessidade dos analistas de buscarem fatores para fazer suas apostas no mercado.PIBMeirelles também fez uma leitura positiva do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2007 divulgado na semana passada. Para o presidente do BC, os números indicam a continuidade do avanço econômico brasileiro que, na opinião dele, será sustentado. "O PIB mostra claramente que o Brasil está na rota de crescimento sustentável", disse.Para o presidente do BC, dois fatores são especialmente importantes nesta avaliação: o aumento do investimento e o do consumo das famílias, que cresceu 6% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2006."O PIB também mostra a força do investimento e do consumo das famílias que são dois componentes essenciais para o crescimento continuar", disse, ressaltando também o aumento da massa salarial, que subiu 8,4% em abril frente a igual mês do ano passado. "Esse é um crescimento impressionante de patamares asiáticos", destacou.Durante palestra para os associados da Câmara Americana de Comércio(Amcham), Meirelles voltou a rebater os críticos do controle inflacionário rígido exercido pelo BC e ressaltou a necessidade de a sociedade compreender o quão fundamental é ter uma inflação controlada dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetária Nacional (CMN)."No Brasil é sempre subestimado o efeito da estabilidade econômica. Devido à pouca consciência do custo da instabilidade existe sua irmã gêmea, que é a pouca consciência dos benefícios da estabilidade", disse Meirelles, para quem o Brasil já esgotou o modelo de um crescimento sustentado por uma inflação mais alta. "Mas, mesmo assim, ainda estamos discutindo até que ponto a inflação é ruim mesmo."

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