Faturamento de fabricantes de máquinas caiu até 67% este ano

Vendas totais do setor em maio foram 24% menores do que no mesmo período do ano passado

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

A atividade das empresas de máquinas e equipamentos continua retraída e a projeção para os próximos meses é de que a situação continue difícil para o setor. Segundo dados que serão divulgados hoje pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na comparação entre o período de janeiro a maio de 2008 e o de 2009, a queda do faturamento foi de 24,2%. O faturamento do setor no mês passado foi de R$ 5,09 bilhões, 22% inferior ao de maio de 2008. Segundo Fernando Bueno, diretor da Abimaq, os segmentos com maior retração na receita são os de máquinas para madeira (-67%), máquinas-ferramenta (-56%), máquinas têxteis (-42%), máquinas agrícolas (-42%), máquinas gráficas (-35%) e de plástico (-32%). "Está bem claro que caminhamos cada vez mais para uma grave desindustrialização nas empresas brasileiras", alerta.Na contramão está a indústria do petróleo, como as empresas que fornecem válvulas e motobombas, com alta de 14% no faturamento na comparação entre abril e maio. Os projetos ligados à exploração do pré-sal são os principais geradores de encomendas na área.Um dos efeitos da crise, além da retração no ritmo de atividade e na queda na carteira de pedidos (24% menor do que o registrado em maio do ano passado), é o enxugamento do quadro de funcionários. Em setembro do ano passado, quando a crise econômica global se aprofundou, o setor empregava 250 mil trabalhadores. Hoje são 233 mil.Presidente da subsidiária brasileira da alemã Schuler, Paulo Tonicelli está preocupado com os pedidos cada vez mais minguados. A empresa tem hoje 20% de ociosidade na linha de produção e o faturamento em 2009 deve ficar 25% menor do que no ano passado.Para não ter de recorrer a mais empréstimos bancários, a Schuler tenta com o governo embolsar os R$ 70 milhões que tem de crédito pela compra de insumos para produzir o maquinário. O valor vem se acumulando nos últimos quatro anos e não há data para o pagamento.A Abimaq calcula que, atualmente, entre impostos federais, estaduais e municipais, o setor tem um crédito de ao menos R$ 500 milhões.Numa reunião em São Paulo com um dos executivos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a direção da Schuler reclamou das dificuldades financeiras e recebeu a oferta de recursos do banco, que foi rechaçada. Disse um dos executivos: "Não queremos dinheiro do banco. Queremos o nosso dinheiro que está com o governo." Tonicelli é categórico ao dizer que teme pelo futuro da companhia. "Estamos procurando outros negócios, especialmente na área de energia. Mas o fato é que há o risco de encerrar as operações no Brasil", lamenta. Desde setembro, a Schuler demitiu 20% dos trabalhadores.Diretor-geral da Yaskawa, fabricante de componentes para máquinas, José Luiz Rubinato conta que o faturamento está 50% menor que o do ano passado. A inadimplência beirava os 2%, hoje é de 10%. O executivo pede reembolso imediato do crédito fiscal. "O governo já deveria ter tomado algum tipo de atitude. O problema é que ainda não entendeu que a queda nas vendas não é uma dificuldade para os fabricantes de máquinas e equipamentos, mas que as empresas de diferentes setores simplesmente não estão investindo no aumento da industrialização", diz. Evandro Orsi, diretor de uma empresa do setor de máquinas-ferramenta (que servem para fazer outras máquinas), não tem dúvida de que a recuperação neste ano é improvável. Até agora, a receita caiu 70% e a carteira de pedidos encolheu 50%. O quadro de funcionários foi cortado pela metade."É preciso colocar em prática um programa de desoneração de toda a cadeia para que se tenha condições de competir. O Brasil é um único país que taxa bens de capital", critica Orsi. Na sua empresa, a postergação de pagamentos pelos clientes tem variado de três a seis meses.Para evitar o agravamento do quadro, os dirigentes da Abimaq têm negociado com o governo nos últimos meses uma série de benefícios. Pedem linhas de crédito especiais no BNDES e a redução do prazo para reembolso do PIS e Cofins aos compradores de máquinas. Desde os anos 80, o reembolso é parcelado em 48 meses. Mas o setor pede que seja imediato. Também se negocia a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que hoje ainda incide sobre 10% das máquinas e equipamentos.

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