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Faturamento de pequenas empresas tem maior queda em 7 anos

Queda foi de 16,5% em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior, diz Sebrae; setor mais atingido foi o industrial

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

12 de março de 2009 | 15h41

O faturamento médio real das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas registrou queda de 16,5% em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior, mostrou nesta quinta-feira, 12, a pesquisa Indicadores Sebrae-SP. O resultado é o pior registrado para o mês de janeiro nos últimos sete anos. Em média, as MPEs faturaram R$ 14,3 mil em janeiro, enquanto no mesmo mês do ano passado esse valor ficou em R$ 17,4 mil.   Veja também: BC estuda medidas para ampliar empréstimos de bancos Negociações salariais pioraram em 2008, diz Dieese Corte de juros do BC é insuficiente, diz Nobel Desde o início da crise financeira, indústria paulista fecha 236,5 mil vagas De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    O setor mais afetado pelos efeitos da crise internacional foi o industrial, com retração de 20,7%, a maior em 12 meses, seguido por comércio e serviços, que registraram quedas de 19,6% e 5,6%, respectivamente. Na indústria, os subsetores mais afetados foram os de bens de consumo duráveis e bens de capital. Por região do Estado, o recuo no faturamento foi maior nas micro e pequenas empresas do ABC: 21,1%. Já nos estabelecimentos da cidade de São Paulo a retração foi de 18,2%.   Segundo Marco Aurélio Bedê, economista do Sebrae-SP, os segmentos de atividade mais prejudicados foram os que dependem das vendas a prazo. Como exemplo, ele cita produtos de metal, insumos industriais básicos (borracha, plástico, química, madeira, metalurgia básica), máquinas e equipamentos, aparelhos e materiais elétricos, autopeças e comercialização de veículos.   Entre os motivos apontados como responsáveis pela queda brusca no faturamento das MPEs paulistas estão o impacto da crise financeira internacional na economia brasileira, a dificuldade de acesso ao crédito e a reação conservadora das empresas e dos consumidores em relação a investimentos e consumo.   "A dificuldade de acesso ao crédito para financiamento de capital de giro e o receio do empreendedor em investir em tempos de vacas magras foram decisivos para a queda do faturamento", avalia o diretor superintendente do Sebrae-SP, Ricardo Tortorella. "Essa queda também está relacionada à redução da atividade econômica e menor liquidez no mercado, particularmente em setores cujas vendas são mais dependentes de financiamento."   Para o dirigente da instituição, os dados mostram que, apesar dos esforços do governo, as medidas adotadas até agora não foram suficientes para minimizar os impactos da crise no sistema produtivo. "É chegada a hora de os governos federal e estadual darem respostas aos empresários na velocidade de que o empreendedor precisa", enfatiza. "Precisamos dar acesso a crédito, mais funding de recursos e mais capital de giro para os negócios de pequeno porte".   Perguntado sobre a decisão do Copom de reduzir em 1,5 ponto porcentual a taxa Selic, para 11,25% ao ano, Tortorella avaliou que qualquer redução é bem-vinda, mas esperava uma queda maior. "A taxa caiu e vai afetar positivamente as micro e pequenas empresas", afirmou. "Mas o governo tem de tomar medidas bem mais duras e a sociedade deve cobrar ações mais eficazes."   Comparação mês a mês   Na comparação de janeiro com dezembro de 2008, as micro e pequenas empresas paulistas tiveram redução de 15,5% no faturamento médio real. "Essa queda tem um caráter sazonal, uma vez que os setores de comércio e serviços são beneficiados em dezembro pelo pagamento do 13º salário e vendas de fim de ano, enquanto o mês de janeiro costuma concentrar férias coletivas em diversas atividades econômicas", ressalta Tortorella.   No mesmo período, a indústria registrou a maior queda: 18,7%. Já o comércio teve uma retração de 15,4%, enquanto no setor de serviços a redução no faturamento médio real foi de 13,4%. Em janeiro, a receita total do 1,3 milhão de MPEs paulistas foi de R$ 22,8 bilhões, o que significa uma redução de R$ 3,5 bilhões em relação a dezembro. Já no período de 12 meses a queda na receita foi de R$ 3,8 bilhões.

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