Faturamento do comércio de SP subiu 5,11% em janeiro

O faturamento do comércio varejista na região metropolitana de São Paulo teve alta de 5,11% em janeiro ante o mesmo mês de 2004, mas recuou 28,27% na comparação com dezembro do ano passado. Os dados foram divulgados hoje pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio) e fazem parte da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV).A queda de dezembro para janeiro é esperada, dado a sazonalidade do período - durante o Natal, o comércio registra historicamente os picos de venda e faturamento. De acordo com os dados da Fecomércio, o índice em relação a janeiro do ano passado resultou, principalmente, do comportamento dos dois setores de maior peso relativo na pesquisa: as concessionárias de veículos, com alta de 41,82%, e os supermercados, que tiveram queda de 12,74%.Segundo a assessoria econômica da Fecomércio, o comportamento dos supermercados é um sinal, por um lado, do esgotamento do ciclo de recuperação das vendas no varejo e, por outro, de uma interferência sazonal da época de férias. "O efeito calendário, em função do primeiro dia do ano ter sido sábado, também influenciou no resultado, fazendo com que muitos supermercados não abrissem no domingo", disseram os economistas da instituição por meio de nota à imprensa. Além disso, segundo eles, o feriado prolongado do aniversário de São Paulo estimulou a viagem dos paulistanos, resultando num movimento mais fraco.Os economistas da entidade observam, no entanto, o resultado de supermercados com preocupação. Segundo eles, isto ocorre principalmente porque a atividade tem seu mercado preponderante nos consumidores de menor renda e também pela natureza essencial dos produtos comercializados. "Vale lembrar ainda que o setor sofre diretamente os reflexos do nível de endividamento do consumidor e da substituição do consumo de bens não-duráveis por produtos duráveis, sustentada pelo crediário", analisaram.CarrosSobre o resultado das concessionárias de veículos, os assessores econômicos da Fecomércio salientaram que as vendas em janeiro de 2004 foram baixas, tornando frágil a base de comparação. "Naquele mês, cerca de 64% das vendas concentraram-se em veículos populares, enquanto em janeiro esse percentual caiu para 54%. Isso significa que foram comercializados carros de maior valor unitário, elevando o volume monetário das vendas." Para eles, o crédito destinado para o financiamento de veículos também colaborou com a alta do setor.A PCCV é realizada mensalmente pela Fecomércio, desde 1979. Integram a análise itens como faturamento real, faturamento nominal e vendas físicas das empresas. O estudo verifica o desempenho de lojas de comércio automotivo, eletrodomésticos, vestuário e supermercados, entre outros segmentos.VarejoA maior queda no faturamento do comércio em janeiro foi registrada entre as lojas de móveis e decoração, que tiveram retração de 19,91%, em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com os economistas da instituição, o comportamento do setor no varejo está de acordo com a produção industrial de mobiliário, que registrou queda de 10% em dezembro passado. "Este desempenho vem confirmar a previsão dos empresários do ramo quanto a um movimento de vendas menor neste início de ano, inclusive em função da forte base de comparação", afirmou a Fecomércio, acrescentando que, janeiro do ano passado, foi o terceiro melhor mês de 2004 para a atividade.As lojas de eletroeletrônicos e cine-foto-som mantêm o ritmo negativo verificado no ano anterior, segundo a pesquisa da Fecomércio. O setor teve queda de 2,64% em janeiro ante mesmo mês de 2004. Este segmento engloba as lojas de material ótico e em menor escala as lojas de produtos de informática. Para os economistas da instituição, o mau desempenho do segmento pode ser explicado pela competição com a pirataria e o contrabando, principalmente na região metropolitana de São Paulo, onde é feita a pesquisa.Material de construçãoO grupo de material de construção também apresentou queda de 1,78% no faturamento na comparação com janeiro do ano passado. Apesar do resultado negativo, o setor não está pessimista a curto prazo, segundo a assessoria econômica da Fecomércio. "O que vale ressaltar neste grupo é que o avanço do faturamento dos últimos meses de 2004 deve-se à ampliação da participação das grandes redes nas vendas do setor, cuja concentração está crescendo nitidamente nos últimos anos", destacaram.Oferta de créditoOs dados divulgados hoje sobre o faturamento do comércio em janeiro apontam para uma continuidade do cenário observado nos últimos meses de 2004, segundo análise feita pelos economistas da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio). "O crescimento das vendas, embora em nítida desaceleração, continua apoiado na maciça oferta de crédito e na confiança elevada dos consumidores", afirmaram os analistas por meio de nota à imprensa.Esta oferta, segundo os economistas, decorre de uma expectativa positiva quanto ao futuro e da esperança de redução mais sensível dos índices de desemprego e conseqüente reflexo sobre a renda, o que não vem ocorrendo. Para a assessoria econômica, o crescente endividamento do consumidor e a renda estagnada formam uma combinação preocupante.AlertaA Fecomércio voltou a alertar que a insistência numa política monetária restritiva de elevação constante dos juros e a ênfase numa política fiscal exclusivamente arrecadatória certamente, trarão reflexos no curto prazo sobre os atuais níveis de consumo. "As elevações da Selic ocorridas desde setembro de 2004 ainda não surtiram efeito, principalmente em reduzir o volume de crédito, fator mais importante para os resultados de produtos como os eletrodomésticos."

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