Faturamento do comércio paulista sobe 3,9% em 2006

O faturamento do comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo em 2006 foi 3,9% superior ao resultado de 2005, de acordo com Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). No geral, o aumento da concessão de crédito, os juros mais baixos e o alongamento dos prazos de empréstimo, bem como o aumento da renda média na região, foram apontadas como as causas da alta do faturamento dos comerciantes.Na avaliação do presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, os resultados do comércio em 2006 estão em sintonia com o comportamento geral da economia e do Produto Interno Bruto (PIB). A entidade empresarial espera que as vendas tenham um pequeno aquecimento no início deste ano. "A expectativa é que janeiro deste ano repita o desempenho observado no mesmo mês de 2006, quando o volume de vendas atingiu nível expressivo para o período", disse Szajman, em nota divulgada nesta tarde.Vestuário, Tecidos e Calçados foi o setor que apresentou a maior alta no faturamento em 2006 na comparação com 2005, de 9,1%, motivado pela estabilidade dos preços e a elevação da renda média da Região Metropolitana de São Paulo. A área deve continuar a mostrar aquecimento em janeiro devido às liquidações de verão.A área de Farmácias e Perfumarias aparece logo em seguida, com alta de 9% no faturamento em 2006. A presença de produtos de perfumaria nas prateleiras das grandes redes impulsionou as vendas do setor. Os medicamentos genéricos também atraíram o consumidor de menor poder aquisitivo, que até então tinha poucas condições de adquirir medicamentos.O setor de Material de Construção faturou 4,8% mais em 2006, alta relacionada principalmente às desonerações concedidas pelo governo. As Concessionárias de Veículos, com resultado 4,4% maior no ano, foram beneficiadas pela concessão de financiamentos a juros mais baixos - 32% ao ano, diante de juros de 52% ao ano em outras modalidades de empréstimos para pessoa física - e prazos mais longos, além da estabilidade dos preços dos automóveis e a grande concorrência entre as montadoras.Supermercados tiveram alta de 2%. Lojas de Departamentos obtiveram faturamento 0,4% superior ao de 2005 e mostram tendência de reversão das quedas acumuladas nos últimos anos. Tem feito sucesso entre os consumidores os cartões próprios das redes, citou a Fecomercio-SP. O faturamento de Lojas de Móveis e Decorações caiu 6% no ano, embora tenha sido notada estabilidade dos preços dos produtos. A esperança do setor é que seja beneficiado indiretamente pelas medidas de estímulo à construção civil anunciadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).A queda no faturamento do setor de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, de 7,3%, é explicada por uma característica própria do setor, cuja demanda pelos bens que oferece é cíclica - a cada período de reposição maciça, segue-se um de vendas mais fracas. O setor de Autopeças e Acessórios, que apresentou queda de 8,3% no faturamento em 2006, tem sofrido com a concorrência chinesa e os baixos preços de seus produtos.DezembroEm dezembro, o desempenho das vendas decepcionou e teve alta de apenas 0,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. Atividades com sazonalidade típica do Natal, como Vestuário, Tecidos e Calçados, tiveram alta de 5,9%, mas as vendas em Lojas de Departamentos foram apenas 0,6% maiores que em dezembro do ano passado.A área de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos surpreendeu pela expressiva queda observada no mês, de 8,8% em relação a dezembro de 2005, invertendo inclusive a tendência de crescimento observada nos últimos anos. Ainda em dezembro, tiveram destaque positivo as vendas das Concessionárias de Veículos (8,8%), Farmácias e Perfumarias (7,8%) e Material de Construção (6,4%).Entre os setores que apresentaram queda no faturamento em dezembro estão Móveis e Decorações, com -5,5%, e Autopeças e Acessórios, com -24,1%. O desempenho de Supermercados, com -2,5%, pode ser explicado pela base de comparação - dezembro de 2005 foi o melhor dos últimos quatro anos para o setor.Szajman avaliou que a alta discreta das vendas em dezembro, apesar do crescimento da concessão de crédito no mês - 5% superior ao mesmo mês de 2005 -, pode ser uma indicação de que a capacidade de endividamento do consumidor se esgotou.A pesquisa elaborada pela Fecomercio-SP é feita mensalmente desde 1970, entre 1,8 mil estabelecimentos comerciais da Região Metropolitana de São Paulo.

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