Favorita do free shop vai ao varejo

Lindt se associa à dona da Kopenhagen no País

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h09

Embora a Lindt tenha uma presença discreta no País - seus produtos são distribuídos em supermercados pela Aurora -, a marca ainda é mais conhecida pelo brasileiro que viaja para o exterior. Os produtos da tradicional empresa suíça, fundada em 1845, são os chocolates líderes em vendas nos free shops dos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e do Galeão, no Rio, de acordo com o balanço da Lindt & Sprüngli.

A companhia, que fechou o ano passado com faturamento equivalente a US$ 3,3 bilhões (alta de 8% sobre 2012), agora vai montar lojas próprias no Brasil. A abertura de butiques da marca ficará a cargo de uma joint venture formada com o grupo CRM, dono das marcas Kopenhagen e Chocolates Brasil Cacau.

Segundo Renata Moraes, vice-presidente do grupo CRM, trata-se da primeira parceria da Lindt em nível global. "Eles sempre foram a novos mercados sozinhos, mas preferiram chegar ao Brasil com alguém que já conhecesse a fundo o mercado local. Eles viram que somos vários países em um só", diz. Além do grupo CRM, a Lindt também chegou a negociar uma aliança no País com a Cacau Show.

Apesar de a CRM ter fábricas no País, os produtos continuarão a ser importados para o Brasil, de acordo com a executiva. A joint venture - na qual o grupo brasileiro tem fatia de 49% - será estritamente comercial.

O grupo CRM administra 820 unidades no País e ajudará na abertura das lojas por aqui - a primeira unidade deverá ser inaugurada até julho. Renata afirma que o tamanho das lojas será ditado pelo valor dos imóveis. Em shoppings, as unidades deverão ser de pequeno porte, de até 50 metros quadrados; nas ruas, há chance de lojas maiores, comparáveis às grandes butiques da marca em endereços famosos de capitais como Paris e Nova York.

O investimento da Lindt nas lojas tem razão de ser. Embora o varejo tradicional - que inclui os supermercados - ainda responda por mais de 90% de suas vendas, a maior parte da expansão da marca vem das butiques próprias. No ano passado, enquanto as vendas gerais subiram 8%, as lojas tiveram uma alta de 19,6%.

Dentro de sua estratégia de expansão, a Lindt está apostando nos principais países emergentes - recentemente, desembarcou na Rússia e na China. Hoje, as vendas da empresa estão concentradas em poucos países. Apesar de os chocolates já serem vendidos em cem países, cerca de 85% do faturamento está concentrado em seis mercados: EUA, Alemanha, França, Suíça, Itália e Reino Unido.

'Intermediária'. Apesar de considerar o produto Lindt "aspiracional", o grupo CRM afirma que o posicionamento de preço da Lindt ficará um pouco abaixo do praticado pela Kopenhagen no mercado brasileiro. Renata Moraes diz não temer a "canibalização" da marca mais conhecida do grupo, que tem 85 anos de mercado e, segundo ela, é vista como um produto "premium".

"Acredito que o segredo da Kopenhagen é que vários de seus produtos já viraram marcas em si", diz a vice-presidente do grupo CRM, citando linhas como Nhá Benta e Língua de Gato. Ela diz que, além de o portfólio ser diferente do apresentado pela Lindt, o número de lojas deverá ser consideravelmente inferior ao da Kopenhagen, que hoje tem 330 unidades.

Porém, na opinião do consultor em franquias Marcelo Cherto, uma competição entre a Lindt e a Kopenhagen pode se estabelecer caso as lojas pratiquem preços muito próximos.

Ele diz que, neste caso, a vantagem pode ficar com o produto importado, que sempre é visto como "chique" pelo consumidor brasileiro./ FERNANDO SCHELLER

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