Fazenda agora não arrisca palpite para o PIB

Sobre inflação, documento cita projeção para o IPCA feita pelo BC em setembro, de 5,2%, apesar de o número ter sido revisto anteontem para 5,7%

EDUARDO CUCOLO /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2012 | 02h08

A economia brasileira está preparada para o crescimento sustentável, avaliou ontem o Ministério da Fazenda no boletim Economia Brasileira em Perspectiva. O documento diz que, a despeito da falta de dinamismo das economias avançadas e do fraco comércio internacional, os dados do terceiro trimestre já mostram recuperação e as perspectivas para 2013 são bastante positivas.

O texto não traz projeções para o crescimento do PIB este ano, que o mercado estima em 1%, nem para 2013. Nas versões anteriores, normalmente havia números para o crescimento, sempre superiores aos projetados pelo Banco Central e bem acima das expectativas dos economistas. Dessa vez, a Fazenda preferiu falar de forma genérica sobre as perspectivas para o ano que vem.

Reproduzindo o discurso que o ministro Guido Mantega vem repetindo nas últimas semanas, diz que o Brasil apresenta uma nova matriz macroeconômica, "ímpar na história do País, muito promissora para o investimento, a produção e o emprego, com taxas de juros baixas, custos financeiros reduzidos para empresas e famílias, taxa de câmbio mais competitiva, e sólidos resultados fiscais". Essa matriz é formada pelos juros baixos e pelo câmbio ajustado.

O documento reconhece que o crescimento do PIB no terceiro trimestre de 2012 ficou abaixo do esperado, mas já aponta para um cenário melhor. "As medidas de impulso adotadas pelo governo federal já começam a dar sinais de efetividade e tendem a se intensificar nos próximos meses." Segundo o ministério, a produção industrial sinaliza retomada do crescimento e as vendas no varejo estão robustas. Uma das poucas previsões contidas no documento é a de que o investimento do setor público ficará em 4,4% do PIB este ano, ante 4,0% em 2011.

Sobre inflação, a Fazenda cita projeção para o IPCA feita pelo BC em setembro, de 5,2%, apesar de o número ter sido revisto anteontem pela autoridade monetária para 5,7%. Diz ainda que as pressões inflacionárias dos últimos meses já estão se dissipando, com registros de acomodação dos preços ao produtor de derivados de soja, milho e trigo.

Crise. "Este cenário deverá afetar as próximas divulgações do IPCA e contribuir para direcionar o resultado acumulado em 12 meses para o centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional." A Fazenda destaca ainda que o IPCA segue dentro do intervalo da meta.

A crise internacional, apontada pela equipe econômica como a principal responsável pela frustração no crescimento, não acabou, na visão da Fazenda. Os técnicos citam a falta de solução para o "abismo fiscal" americano e o risco de o motor da Europa, a Alemanha, desacelerar. "Assim, é importante que os membros da Zona do Euro encontrem soluções rápidas e duradouras, principalmente em termos de ampliação da supervisão bancária e da consolidação fiscal, para que o crescimento retorne à região."

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