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Fazenda descarta adotar medidas de ‘pronto-socorro’ para a economia

Ideia em estudo na Fazenda é dar condições para que as companhias consigam sair mais rápido dos processos de recuperação judicial

Adriana Fernandes, Carla Araújo, Impresso

03 Dezembro 2016 | 05h00

BRASÍLIA - Sob pressão por causa da dificuldade na retomada da atividade econômica, a ordem no Ministério da Fazenda é rejeitar soluções fáceis de “pronto-socorro” para impulsionar a economia. Esse tipo de estratégia já foi utilizado no passado recente e não resolveu a crise do País, dizem fontes da equipe econômica.

O Estado apurou que medidas para a retomada do crescimento vão envolver soluções para a recuperação judicial e a negociação das dívidas das empresas com os bancos. Elas, porém, só começarão a ser anunciadas a partir de janeiro.

A equipe econômica considera fundamental a agenda de crescimento, mas é importante que ela venha somente em seguida à consolidação fiscal, depois da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do teto do gasto e o envio da proposta de reforma da Previdência ao Congresso. A avaliação da Fazenda é que o governo não pode repetir “práticas” de malabarismos que funcionam apenas como uma cortina de fumaça para desviar a atenção.

PIB. A pressão sobre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cresceu após o anúncio do recuo do PIB no terceiro trimestre, dando munição, sobretudo, para aliados do PSDB reclamarem por mais espaço na condução da economia.

Em reação, a Fazenda avalia uma série de medidas para janeiro. O foco é dar condições melhores ao processo de recuperação judicial para que as companhias possam se recuperar mais rápido. Não necessariamente esse processo passará pela liberação dos depósitos compulsórios – recursos que os bancos são obrigados a fazer no Banco Central. Mas serão revistos procedimentos judiciais para permitir que as empresas saiam mais rapidamente da crise.

A Fazenda considera “normal” o clima de agitação e de “barata voa” em torno de propostas de medidas de fora do governo que estão surgindo, e atribuiu esse quadro não só à dimensão da crise, mas também ao clima pesado em torno das delações da Odebrecht, que pode atingir um grande número de políticos. A crise financeira nos Estados amplifica o problema. “Essa crise é muito profunda, afetou o crédito das empresas e das pessoas e demora tempo para ser resolvida”, disse um integrante da equipe econômica.

Para dar uma resposta à “fritura” do ministro da Fazenda, o presidente Michel Temer fará gestos ao mercado para reforçar sua confiança na equipe econômica. A primeira ação neste sentido será a efetivação de Dyogo Oliveira no Planejamento. Ele está interino no cargo desde que o senador Romero Jucá (PMDB-RR) saiu do governo, em maio. O aceno, na avaliação de interlocutores do presidente, serviria para “blindar a equipe econômica” e demonstrar que Temer não quer fazer alterações de curso neste momento. A efetivação de Dyogo, porém, ainda não tem data definida e nem formato para acontecer.

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