Eduardo Monteiro/Divulgação
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Fazenda e BC pressionam ruralistas no Plano Safra

Secretário de política agrícola foi cobrado a aceitar redução dos juros do crédito rural na mesma proporção da queda da taxa básica de juros, a Selic

Broadcast Agro, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2018 | 05h00

O Ministério da Fazenda e o Banco Central jogam duro com os ruralistas na elaboração do Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019. Em recente reunião com representantes da Frente Parlamentar do Agronegócio, do setor produtivo e do Ministério da Agricultura, o secretário adjunto de Política Agrícola da Fazenda, Ivandré Montiel, foi cobrado a aceitar redução dos juros do crédito rural na mesma proporção da queda da taxa básica de juros, a Selic. A resposta foi clara: a derrubada dos vetos do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, que abriu caminho para ampla renegociação de dívidas do Funrural, reduziu o espaço fiscal para o Tesouro equalizar taxas de juros no próximo ciclo. A Fazenda informa que não comentará as negociações sobre o plano, previsto para ser lançado entre o fim de maio e o começo de junho.

Exagero. No mesmo encontro, João Ferrari, do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle das Operações do Crédito Rural e do Proagro, do BC, considerou “exagerados” os recursos anunciados a cada Plano Safra, já que os valores efetivamente emprestados em geral são menores. Na safra 2015/2016, foram ofertados R$ 217 bilhões, e contratados R$ 166 bilhões. Em 2016/2017, de R$ 215 bilhões, R$ 152 bilhões foram liberados. O BC diz que o servidor “procurou refletir o empenho do governo de buscar a alocação do maior volume de recursos possível para o financiamento da produção agrícola a cada safra”.

Faltam garantias. Empresas de médio porte do setor sucroenergético encontram dificuldades para obter financiamento. É que os preços baixos do açúcar e do álcool enfraquecem as garantias exigidas para essas operações, conta à coluna Jorge Casanova, representante para o Cone Sul da Ryssen Alcools, subsidiária da alemã CropEnergies. “Os bancos têm dinheiro, mas os preços estão em baixa e as usinas não têm garantia para dar. Isso trava os investimentos.” Para ele, quem superar esta fase ficará no mercado. Quem não conseguir, pode ter de recorrer à recuperação judicial.

Acelera. A Agrishow começa hoje em Ribeirão Preto (SP) com um cenário favorável ao setor de máquinas agrícolas. Grande produção de grãos em 2017/2018, preços da soja em alta e diversos lançamentos para encher os olhos dos produtores devem resultar em vendas expressivas, espera Alexandre Blasi, diretor de Mercado da fabricante New Holland. Sua expectativa é de negócios 10% maiores ante 2017. Produtores de grãos devem puxar a demanda, mas usinas de açúcar e etanol também vão às compras para renovar a frota, explica.

Intercâmbio. O governo australiano marcará presença na Agrishow, de olho em empresas do agronegócio brasileiro interessadas em investir no país, conta Greg Wallis, cônsul-geral da Austrália. “É uma grande oportunidade para buscarmos investidores”, justifica. A Comissão Australiana de Comércio e Investimento já tem encontros marcados com companhias de máquinas agrícolas, agricultura de precisão e tecnologias digitais. “O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Austrália.”

Rumo ao Norte. O projeto da Ferrogrão, que deve ligar Sinop (MT) ao terminal de transbordo de grãos em Miritituba (PA), desperta interesse de investidores externos, diz Guilherme Quintella, presidente da companhia de logística EDLP. A empresa estrutura a iniciativa, proposta pelas tradings ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus Commodities e Amaggi. “Surgiram conversas interessantes no Oriente Médio e na China”, comenta. Quintella viajará também aos EUA e Canadá para falar do empreendimento. Ele acredita que 50% do custo, de mais de R$ 12 bilhões, será bancado com recursos externos. O restante deve vir do BNDES.

Me ensina. Produtores e dirigentes da Emater (empresa de assistência técnica e extensão rural) de vários Estados embarcam no dia 5 de maio para Israel em busca de soluções para a agricultura brasileira. O país é referência em tecnologia para o setor, especialmente em irrigação por gotejamento, explica Fábio Torquato, diretor da AgroTravel, que estruturou o roteiro. O roteiro inclui visitas a empresas, lavouras no deserto, universidades e à 20.ª Agritech, em Tel Aviv, uma das mais importantes feiras de tecnologia agrícola do mundo.

Inspiração. Outro grupo, este formado por técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Ministério do Trabalho e do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, viaja à França esta semana para conhecer o sistema de avaliação de riscos na aplicação de agroquímicos daquele país a ser adotado no Brasil. “Será um intercâmbio, já que o sistema de uso de equipamentos de proteção individual utilizado nas lavouras da França foi desenvolvido pelo Brasil e agora os franceses nos ajudarão”, diz o pesquisador do CEA/IAC Hamilton Ramos, um dos membros da missão brasileira.

Novo seguro rural? O Ministério da Agricultura recebeu autorização do comitê interministerial de gestão do seguro rural para criar um projeto experimental de suplementação privada do programa. A proposta prevê a divisão do custo do prêmio entre o governo, produtor e fornecedores de insumos. Serão oferecidos R$ 5 milhões de subvenção federal para o projeto.

 

 

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