DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Se necessário, imposto aumentará, diz Meirelles

Segundo ministro, até o fim do mês governo saberá se a receita prevista para 2017 será suficiente para evitar uma alta de impostos

O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2016 | 12h41

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou a dizer que, se for necessário para o reequilíbrio das contas públicas, haverá aumento de impostos. Segundo ele, o governo divulga até o final do mês as novas estimativas de arrecadação para 2017. É esse número que vai determinar a necessidade ou não da alta de impostos.

 

Segundo Meirelles, a economia está evoluindo dentro das projeções para 2017 e começa a dar os primeiros sinais de retomada. “As indicações são de que vai haver crescimento da economia e consequente aumento da arrecadação. Se isso se configurar, não será necessário aumentar impostos. Mas, se for necessário, nós vamos aprovar (esse aumento)”, disse, após reunião com analistas do mercado financeiro em São Paulo.

 

Mais tarde, Meirelles e os ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e o interino do Planejamento, Dyogo Oliveira, se reuniram com o presidente em exercício, Michel Temer, para tratar exatamente do orçamento de 2017. Foram apresentadas contas preliminares que, mesmo sem a definição de valores de privatizações, não preveem aumento de impostos, por enquanto. Para o ano que vem, o governo trabalha com uma projeção de rombo de R$ 139 bilhões nas contas.

Os ministros têm exatamente 15 dias para entregar ao Congresso o detalhamento da proposta de orçamento do próximo ano, e vão continuar rodando os modelos de projeções de receitas e despesas até a próxima semana, quando tentarão bater o martelo com Temer sobre os números da peça orçamentária. 

Quando apresentou, no começo de julho, a proposta de meta fiscal com um déficit de R$ 139 bilhões no próximo ano, o governo revelou que a conta incluía um reforço de receitas de R$ 55,4 bilhões, que viriam principalmente de concessões de serviços e da privatização de estatais.

Agora, com a aposta de que, passado o processo de impeachment, a economia terá uma evolução melhor do que a prevista anteriormente e de que as receitas devem crescer mais no próximo ano, essa necessidade de reforço deve ser menor. Ou seja, o governo trabalha com um cenário em que será preciso privatizar menos e ainda assim evitar aumento de impostos. 

Corte. Mas mesmo que a equipe econômica decida elevar a expectativa de crescimento da economia brasileira para 2017, como vem sendo cogitado, fontes do governo ouvidas pelo Estado não descartam medidas adicionais para o cumprimento da meta fiscal. Para isso, é provável que o governo recorra a mais redução de despesas. “O aumento (de receita) não é tão imediato e há espaço para cortar despesa”, afirmou uma fonte do governo.

Crescimento. No relatório Focus do Banco Central, que compila as previsões do mercado financeiro, a estimativa para o PIB em 2017 está em 1,10%, não muito distante do que projeta do governo. Mas há algumas instituições que visualizam a possibilidade de um resultado melhor, próximo de 2%.

“Se a atividade for retomada no quarto trimestre deste ano ou no primeiro trimestre de 2017, isso faz muita diferença. Acho que ainda está cedo para esperar um PIB de 2% em 2017, porque ainda temos ajustes no mercado de trabalho e o consumo deve continuar ruim. Mas não é impossível", ponderou o economista de um banco, que projeta atualmente crescimento de apenas 0,5% para o ano que vem. /EDUARDO RODRIGUES, CARLA ARAÚJO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E ÁLVARO CAMPOS, COLABORARAM RACHEL GAMARSKI E FABRÍCIO DE CASTRO 

 

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