Fazenda já havia revisado PIB para 2,5%, diz Mantega

'Pode ser até que a gente consiga um pouco mais', comentou o ministro sobre o crescimento da economia

Francisco Carlos de Assis, Beatriz Bulla e Renan Carreira, Agência Estado

30 de setembro de 2013 | 11h45

SÃO PAULO - A revisão feita no Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central de projeção de crescimento do PIB para 2,5% já havia sido feita pelo ministério da Fazenda, comentou Mantega após o 10º Fórum de Economia.

"Nós tínhamos feito essa revisão do crescimento de 3% para 2,5%. Então estamos com a mesma projeção de crescimento", comentou Mantega. "Como houve um bom resultado do segundo trimestre, pode ser até que a gente consiga um pouco mais. Estou tendo indicações de que a situação econômica está melhorando, gradualmente", completou.

Mantega disse que a confiança "que tinha sido arranhada" está voltando. Ele mencionou que os leilões animam o investidor e que a receptividade em Nova York foi boa. "Sinto que as condições estão se colocando e podemos acelerar nosso crescimento", completou. Segundo ele, governo está "caprichando" para que o programa de infraestrutura seja "bem rentável e atrativo".

De acordo com o ministro, o que vinha atrapalhando o crescimento brasileiro era a situação internacional, que também está melhorando. "Ano que vem poderemos ter mais mercado para exportar. O mundo vai melhorando e poderemos acelerar nosso crescimento a partir do ano que vem."

Mas, segundo Mantega, crises menores podem atrapalhar o crescimento nos próximos dez anos e que, por conta delas, o ministério trabalha com crescimento médio de 4% no período. "Vamos ter que aumentar a produtividade do trabalhador. Tudo vai ter que ser mais eficiente", disse.

Crescimento

Para obter crescimento do PIB esperado, é preciso manter fundamentos sólidos e reduzir gastos. Ele afirmou que o déficit da Previdência está caindo e o gasto com folha de pagamento está, se não caindo, estacionado. O ministro disse o País precisa diminuir o gasto com juros. "Hoje, o Brasil gasta 4,7% do PIB com juros, o que poucos países fazem. Em média, os países gastam 1,5% do PIB com juros."

Mantega disse que a ideia é manter as contas públicas sob controle para investimentos em educação e saúde. Ele afirmou que hoje o Brasil tem um câmbio mais competitivo. Ele afirmou que a média de câmbio de julho a 27 de setembro foi de R$ 2,29.

Ao final da apresentação, o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira disse a Mantega: "essa foi a melhor apresentação que o senhor fez, pois está olhando à frente".

Superávit

Sobre a colocação do relatório do BC de que não se faz hoje necessário superávit primário de ampla magnitude, Mantega comentou que talvez o que a autoridade monetária tenha sinalizado é que não é necessário ter um superávit de 3,1% para manter a redução da dívida líquida. "Não precisa talvez de um superávit de 3,1% para manter a redução da dívida líquida brasileira. De fato ano passado fizemos 2,38% e houve uma queda da divida líquida", disse Mantega, que completou: "Esse ano não faremos os 3,1%. Vamos fazer menos e mesmo assim deveremos ter uma queda da dívida líquida. Acho que é isso que ele quis dizer", completou o ministro, dizendo que ainda não leu o relatório do BC.

Renda

Segundo ele, é possível aumentar a renda per capita em 40% nos próximos dez anos. "Duplicar renda per capita em 15 anos é uma meta difícil", completou, sobre o tema do fórum proposto pela FGV. "Nós estamos acelerando. Nos outros dez anos (posteriores aos próximos dez anos) podemos aumentar 50%, ou 60% (a renda per capita)", disse. "Em vez de 15, em 20 anos acho que dá para chegar na duplicação como é hoje."

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