Fazenda projeta alta de 4,5% para o PIB em 2009

Secretário afirma que estimativa reflete os choques na economia mundial e as medidas de combate à inflação

Fabio Graner, da Agência Estado,

04 de julho de 2008 | 14h17

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou nesta sexta-feira, 4, que o crescimento econômico do Brasil em 2009 deverá ser de 4,5%, refletindo os choques externos na economia mundial e as medidas adotadas pelo governo para combater a inflação. Até quinta-feira, tanto Barbosa quanto os demais integrantes do ministério da Fazenda falavam de crescimento de 4,5% a 5% para 2009, sendo o limite superior à projeção oficial do governo.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos   Entenda os principais índices de inflação  Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos  Barbosa disse que o novo número foi feito com base nos dados disponíveis até hoje, mas destacou que até o envio da lei orçamentária este dado será revisado. Até lá, segundo ele, novas análises serão feitas e o governo irá debater internamente o assunto para anunciar uma nova projeção oficial.  Apesar de o mercado financeiro trabalhar com projeção de 4% para o crescimento da economia em 2009, Barbosa não considera que os seus 4,5% sejam fruto de excesso de otimismo. Segundo ele, o forte crescimento dos investimentos e da produtividade vão sustentar essa expansão. "Não é excesso de otimismo, é realista. Mas o importante é a mensagem: o crescimento vai continuar sustentável nesta faixa. Vamos controlar a inflação sem sacrificar o crescimento", afirmou Barbosa.  "O PIB deve ter alguma moderação, mas nada que comprometa o ciclo de crescimento", acrescentou, ao ressaltar que há uma elevada volatilidade em previsões de PIB. Segundo ele, o forte ritmo dos investimentos garante que neste período de turbulência externa o "barco balance mas não saía do rumo".  Barbosa participou de debate promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás e pela Universidade Federal de Goiás. Em sua apresentação, Barbosa voltou a dizer que o governo tomou as medidas necessárias para fazer a inflação convergir para a meta. Ele ressaltou que o principal fator da aceleração recente da inflação são os choques externos e que o esforço do governo é para evitar os efeitos de segunda ordem, ou seja, que ela se espalhe pela economia.   Gastos públicos Barbosa afirmou ainda que o debate sobre os gastos públicos tem que passar das frases fáceis, que dizem que o governo deve reduzir seus gastos, para uma discussão de onde devem ser feitas essas reduções. Ele destacou que maior parte do crescimento das despesas do governo ocorreu em programas de transferência de renda, que representam mais da metade da despesa federal.  O secretário explicou também que boa parte do aumento da arrecadação foi destinado para o incremento desses programas e esse é um dos fatores que torna o Brasil mais resistente a crises externas. Ele argumentou que se o crescimento da carga tributária tivesse ocorrido sem distribuição de renda, ou seja, sem voltar diretamente para a sociedade, o País estaria em uma situação mais vulnerável. "A política de transferência de renda acelerou o crescimento", afirmou.  Outro desafio que o País terá que enfrentar, segundo Barbosa, é o gasto da Previdência, que por causa do crescimento demográfico tende a se expandir. "O Brasil nos próximos 10 ou 15 anos terá que fazer um ajuste na Previdência. Quanto mais cedo se fizer isso, melhor".  Petróleo O secretário afirmou que a área técnica do Ministério da Fazenda está estudando o movimento da commodity no mercado internacional e quanto dessa alta deve-se ou não à especulação financeira. O tema será debatido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro do G-8, no Japão, na próxima semana. Barbosa destacou ainda que uma eventual atuação contra a especulação do produto tem que se dar em nível internacional, já que o Brasil não tem condições de agir sozinho.

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