Fazenda sinaliza novos cortes de juros

Segundo o boletim Economia Brasileira em Perspectiva, "se houver agravamento da crise global, o BC tem condições de agir com uma política monetária expansionista"

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

21 de setembro de 2011 | 10h13

O Ministério da Fazenda vê espaço para o Banco Central (BC) agir com a redução dos juros, no caso de uma piora do cenário internacional. Segundo o boletim Economia Brasileira em Perspectiva, "se houver agravamento da crise global, o Banco Central do Brasil tem condições de agir com uma política monetária expansionista, em resposta a uma eventual desaceleração da economia".

A nova versão do boletim, divulgada nessa quarta-feira na versão em inglês, destaca também que o recente corte na Selic (taxa básica de juros) de 0,50 ponto porcentual foi uma decisão que levou em consideração problemas relacionados à desaceleração global. A avaliação feita pela Fazenda é de que "mesmo o Brasil não estando no centro da crise deste ano, ele não é totalmente isolado e pode sentir alguns dos efeitos da recessão". Mas destaca que o País tem suas próprias ferramentas para articular seus instrumentos de política econômica.

O ministério destaca a necessidade, neste contexto, de não aumentar os gastos. Por esta razão, esclarece, a disciplina fiscal foi fortalecida. "O Brasil está tomando todas as precauções possíveis a fim de evitar que a sua economia seja profundamente afetada por um eventual agravamento das condições da economia internacional". O documento destaca ainda que o objetivo é manter o País em seu caminho de desenvolvimento com menor dano possível ante a turbulência global.

Inflação

O documento prevê um recuo da alta dos preços nos próximos meses e mantém a projeção estabelecida no último relatório de inflação do Banco Central de que o IPCA vai fechar 2011 em 5,8%, acima, portanto, do centro da meta de 4,5%, mas dentro da margem de tolerância, que vai até 6,5%.

Neste contexto, o boletim destaca que a tendência é de queda de inflação na direção do centro da meta, de 4,5%, de 2012-2013.

O ministério da Fazenda prevê ainda uma desaceleração do ritmo de crescimento dos investimentos em infraestrutura em 2011. A estimativa é de que esses investimentos somem R$ 160 bilhões no ano, com alta de 9,2% em relação a 2010. No ano passado, a expansão dos investimentos em infraestrutura foi superior, de 11,6% ante o ano anterior.

Crescimento

O Ministério informou ainda que mantém em 4,5% a previsão oficial de crescimento da economia para 2011. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério, a edição divulgada hoje do documento 'Economia Brasileira em Perspectiva' não trouxe a projeção de alta do PIB em função de limitações de páginas, por causa da nova orientação editorial da Secretaria de Política EconÔmica (SPE), responsável pela elaboração do documento.

"Como foi produzida uma seção especial sobre o 'Brasil nas Crises', algumas informações que se repetiam foram retiradas. Até o presente momento, o Ministério da Fazenda mantém oficialmente a previsão de crescimento do PIB em 4,5% para 2011", informou a assessoria de imprensa.

(Texto atualizado às 14h35)

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