Fazenda surpreende e elogia a manutenção da taxa Selic

''BC parou para observar a situação'', diz Nelson Barbosa, secretário do Ministério

Adriana Fernandes, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2008 | 00h00

Numa postura pouco usual do ministério da Fazenda, o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, foi o porta-voz ontem de um comunicado em defesa da decisão do Banco Central que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. Barbosa disse que a decisão do Copom foi "correta" neste momento de incertezas nos mercados financeiros: "Neste momento de maior incerteza, o Banco Central parou para observar a situação."Barbosa não se alongou nos comentários, mas deixou claro que a "parada técnica" foi possível devido o agravamento da crise financeira, que atingiu sua fase mais aguda, no mês passado, com a quebra do banco Lemon Brothers, nos Estados Unidos. Segundo o secretário, a decisão do Copom contribui para normalizar as condições de crédito da economia brasileira. Antes de o acirramento da crise financeira nos mercados mundiais, o Ministério da Fazenda considerava como fato consumado que o BC iria elevar a taxa Selic na reunião de ontem e uma pausa só seria praticada na reunião de dezembro, marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. O Ministério da Fazenda sempre discordou da argumentação do Banco Central de que era necessário manter a Selic em alta para ajustar o descompasso entre a demanda e a oferta de bens na economia. Para o ministro Guido Mantega, esse descompasso não existia porque os investimentos privados e a oferta de crédito na economia eram suficientes para financiar a produção de bens no mercado interno.GANHA TEMPOO economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, afirmou ontem que o Copom adotou a medida mais prudente, ao decidir manter a taxa básica de juros. Segundo ele, com essa atitude, o BC ganha tempo para avaliar melhor os impactos do atual cenário de turbulências gerado pela crise financeira internacional. Campos Neto fazia parte da corrente dos especialistas que apostam justamente na manutenção da Selic e não descarta a repetição desta decisão para o próximo encontro do comitê, em dezembro. COLABOROU FLAVIO LEONEL

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