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Fazenda teme forte desaceleração da economia

Crescimento abaixo de 4% dificultaria retomada do processo de alta do PIB após ajuste para conter inflação

Lu Aiko Otta e Fabio Graner, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2011 | 00h00

Enquanto os mais pessimistas falam em alta de até 0,75 ponto porcentual na taxa de juros, há quem já esteja preocupado com o "tombo" que a economia sofrerá este ano. No Ministério da Fazenda, tradicional reduto de resistência à elevação da taxa Selic, o sinal de alerta se acendeu com a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro, que já mostra a economia crescendo a um ritmo de 4%.

Diante desse quadro, fontes do governo já começam a considerar nos bastidores a hipótese que o Banco Central faça apenas mais uma rodada de elevação de juros em 0,5 ponto porcentual, encerrando o ciclo em 11,75%. Essa possibilidade, contudo, é levantada com a ressalva de que os dados conjunturais é que mostrarão se serão ou não necessários apertos adicionais ao da semana que vem.

Uma outra fonte recorda que os últimos ciclos de alta dos juros foram menos extensos do que prognosticava o mercado e ainda assim a inflação não saiu da meta.

O mercado, por outro lado, prevê um total de três altas de 0,5 ponto porcentual (considerando a feita em janeiro) e mais uma de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic a 12,50% no mês de dezembro.

A preocupação da Fazenda é que a desaceleração na economia não pode ser muito grande (rodar abaixo de 4% já seria preocupante), porque isso tornaria mais difícil retomar o processo de crescimento da economia após o ajuste. Na equipe do ministro Guido Mantega, o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento e o atual ciclo de alta da taxa de juros são encarados como um movimento temporário de ajuste apenas para este ano. Por isso, as cargas de "fogo amigo" diminuíram sensivelmente e mesmo nas conversas de bastidores percebe-se uma dose extra de cuidado nas declarações.

Bráulio Borges, da consultoria LCA, acredita que a maior parte dos economistas de mercado cortará para baixo a projeção de crescimento do PIB em 2011. Ele projeta 3,6%, ante os 4,3% anteriormente esperados. "O mercado ainda está com previsão de 4,5%", observou, referindo-se ao resultado da pesquisa Focus, que o Banco Central faz com outras instituições financeiras.

"Crescer 4,5% significaria o Brasil crescer todo o seu potencial, mas está cada vez mais claro que o freio de mão foi puxado." À medida em que os analistas reduzirem suas expectativas de crescimento, a tendência é que sejam cortadas também as estimativas de inflação.

Dessa forma, as projeções do mercado ficarão mais próximas das do governo, o que tende a eliminar a chamada "desancoragem".

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