André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Fazenda troca 2º secretário em 19 dias

Depois do secretário do Tesouro, Tarcísio Godoy, secretário executivo, deixa o cargo

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2016 | 05h00

BRASÍLIA - A saída ontem de Tarcísio Godoy da secretaria executiva do Ministério da Fazenda, apenas 19 dias após ser anunciado como o “braço direito” de Henrique Meirelles no comando da pasta, expôs as primeiras divergências na equipe econômica do governo Michel Temer. Godoy, que era o número dois na hierarquia da Fazenda, será substituído pelo economista e diretor executivo de Produtos da BM&FBovespa, Eduardo Guardia.

É a segunda mudança no time inicial de Meirelles, que trocou esta semana o comando do Tesouro, substituindo Otavio Ladeira, remanescente da equipe econômica anterior, pela secretária de Fazenda do Espírito Santo, Ana Paula Vescovi.

Segundo apurou o Estado, Guardia já tinha sido escolhido por Meirelles para ocupar um cargo na Fazenda desde o início da formação da sua equipe. Mas, precisava de um tempo para resolver assuntos particulares antes de se desligar da Bolsa de Valores. Pesou na troca de “vice-ministro” divergências de temperamento entre Meirelles e Godoy, que foi nomeado ontem mesmo para a presidência do IRB Brasil Re.

De acordo com fontes, o combinado entre Meirelles e Godoy era de que ele ficaria no cargo até a chegada de Guardia. O problema que surgiu depois, porém, foi que Godoy começou a trabalhar para permanecer no cargo, o que ampliou seu desgaste com Meirelles. A interlocutores, no entanto, Godoy disse que sua saída do governo já estava acertada desde o início.

Sem surpresa. A troca na equipe não pegou de surpresa a área técnica da Fazenda, que havia identificado diferenças de temperamento entre Godoy e Meirelles e rispidez no trato entre os dois.

Chamado para ser o homem de confiança do novo ministro, a postura considerada muitas vezes intransigente de Godoy ao defender suas ideias teria minado a sua capacidade de permanecer no posto. A postura ficava ainda mais acentuada em um período como o atual, de muitas indefinições sobre os formatos finais de medidas de ajuste fiscal

De acordo com fontes que conviveram com o agora ex-secretário, nas últimas três semanas a falta de paciência dele nas discussões estava prejudicando o ambiente para o debate de propostas. A situação ficou escancarada na última quarta-feira, quando 19 secretários estaduais de Fazenda se reuniram com Godoy para negociar uma saída para o impasse sobre as dívidas dos Estados com a União. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), um acerto tem de ser fechado até o fim deste mês.

Escolhido para comandar as tratativas com os representantes dos Estados, Godoy nem mesmo apresentou a proposta da União. Pelo contrário, afirmou que os próprios governadores teriam de sentar com o ministro para resolver a questão. A atitude do ex-secretário criou mal estar entre parte do representantes estaduais, ainda mais pelo fato de a proposta – já noticiada pela imprensa – não ter sido levada a eles. Godoy ocupou o mesmo cargo na equipe do ex-ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Eles se aproximaram quando eram executivos do conglomerado Bradesco.

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