Fazendas da Boi Gordo serão leiloadas

Empresa lesou 30 mil brasileiros ao vender certificados de compra de bois, entre eles o técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari

Chico Siqueira, especial para O Estado,

07 de maio de 2014 | 17h47

ARAÇATUBA - Três propriedades rurais da massa falida das Fazendas Reunidas Boi Gordo serão leiloadas pela Justiça, dez anos depois de decretada a falência da empresa, que lesou 30 mil credores em R$ 4,2 bilhões. As fazendas foram avaliadas em R$ 40,6 milhões, valor que será atualizado até o dia 15 de maio, data do leilão, marcado para a Casa Portugal, bairro da Liberdade, em São Paulo.

Os recursos serão direcionados primeiro para os credores trabalhistas. Somente depois é que serão pagos os fiscais e em seguida os 30 mil investidores que estão na lista de credores, segundo o administrador da massa falida, Gustavo Sauer. A maior parte dos credores é formada por classe média, que investiu até R$ 20 mil, embalada pela propaganda nos intervalos da novela Rei do Gado, da Rede Globo. A promessa da empresa era de remunerar certificados de compra de bois gordos com lucro de 40% em 18 meses.

O negócio também atraiu celebridades. Entre os credores estão políticos, artistas e ex-jogadores de futebol, como o técnico da Seleção Brasileira, Luís Felipe Scolari, que investiu R$ 557,54 mil; o cantor Erasmo Carlos, que investiu 373,4 mil e o radialista Afanásio Jazadji, com R$ 12,06 milhões.

Mas o dinheiro dos investidores começou a ser desviado para outros negócios do empresário Paulo Roberto de Andrade. A fraude se sustentava num esquema de pirâmide: os recursos dos novos investidores pagavam as retiradas dos antigos, até que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começou fiscalizar e proibiu a empresa de emitir novos certificados, fazendo a pirâmide desmoronar.

Estão indo a leilão as fazendas Realeza, com 640 hectares, avaliada em R$ 13,9 milhões, estabelecida em Itapetininga (SP); a Chaparral, com 7,6 mil hectares, avaliada em R$ 22,8 milhões, em Lambari D'Oeste (MT); e a Vale do Sol 1, com 2,03 mil hectares, avaliada em R$ 3,9 milhões, estabelecida em Salto do Céu (MT).

O leilão é presencial e serão aceitos lances para pagamento à vista e a prazo. O maior lance será o vencedor, independentemente da forma de pagamento; está resguardada a preferência aos arrendatários das fazendas, caso eles se interessem em adquiri-las.

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