Max Whittaker/The New York Times
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Fazendas de região desértica da Califórnia usam tecnologia para aumentar produção

Em área vizinha ao Vale do Silício, empresas de imagens aéreas que usam câmeras de alta resolução e análise de dados de inteligência artificial estão dando à comunidade agrícola um impulso tecnológico

Lauren Smiley, The New York Times

25 de setembro de 2019 | 10h00

No Vale Central da Califórnia, desde os anos 1930 a água da região está sob controle humano. Há uma cuidadosa distribuição da neve que derrete das montanhas, que chega a açudes, barragens, estações de bombeamento, dutos de irrigação, equipamento para gotejamento, sprinklers e campos inundados intencionalmente.

Combinado com bombeamento da água de nascentes, esse sistema transformou o vale de clima desértico num celeiro, onde são produzidos 25% dos alimentos do país, em apenas 1% do território.

Em anos mais recentes, severas estiagens forçaram os fazendeiros a se tornarem mais eficientes no uso da água. Com o vizinho Vale do Silício transbordando eficiência e inteligência digital, foi desenvolvida uma relação natural entre tecnologia digital e agricultura.

Durante décadas, muitos fazendeiros deixaram que a água de irrigação se perdesse no solo. Alguns ainda fazem isso. Eles examinam as plantações de frutas para ver quais árvores estão mais sedentas e pegam punhados de terra para avaliar com as mãos. Tudo muito analógico e impreciso.

“Alguns de nossos melhores fazendeiros, que pareciam conhecer tudo, ainda cometem muitos erros”, disse Zac Ellis, agrônomo da Olam International, empresa agrícola que cultiva quase 6 mil hectares de nozes na Califórnia.

Agricultores estão recebendo ajuda para tornar mais visíveis as condições de seus campos, com capitalistas de risco investindo bilhões em um crescente número startups voltadas para agricultura, as agrotechs.

Uma parte desses investimentos é dedicada ao que é conhecido como agricultura de precisão - uma retomada do ideal platônico do mínimo necessário de água, fertilizantes e defensivos agrícolas para que uma plantação produza o máximo nesta era de mudanças climáticas e crescimento populacional cada vez maior.

A ONU calcula que os agriculores do mundo terão de produzir 70%  mais de alimentos usando apenas 5% mais de terra até 2050. A tecnologia é tida como a força que vai permitir isso.

Aviões para capturar imagens de alta definição

Entre essas startups estão as que mantêm aviões sobrevoando os campos para capturar, em imagens de alta definição, fatores que o olho nu, ou mesmo satélites, não conseguem perceber. Nos sobrevoos são empregadas câmeras sofisticadas que fornecem aos agricultores uma quantidade sem precedentes de dados sobre suas plantações - incluindo áreas que precisam de água e, tão importante quanto, outras que já têm o suficiente.

Uma empresa, a Ceres Imaging, começou a operar em 2013, quando seu fundador, Ashwin Madgavkar, um engenheiro texano, ainda buscava seu MBA na Universidade Stanford. A Ceres usa câmeras de alta resolução para calcular o comprimento de ondas do espectro eletromagnético, medindo a luz refletida pelas plantações. Uma câmera térmica separada mede a radiação emitida pelas plantas, o que permite à empresa calcular a temperatura delas.

Um software avalia dados de algoritmos que detectam os problemas com a água. A inteligência artificial então interpreta os padrões resultantes para identificar o que está causando a falta ou o excesso. Por exemplo, um algoritmo mostra o problema num particular tubo de irrigação, enquanto outro gera um índice de clorofila que ajuda a detectar falta de ferro ou nitrogênio, mostrando onde as plantas precisam de mais fertilizante.

A Ceres tem cem empregados, a maioria baseada no QG de Oakland, Califórnia, com pequenas equipes no Oriente Médio, Argentina e Ucrânia. Ela supervisiona plantações de maçã, pera, milho e soja nos EUA. Está agora fazendo experiências com frutas tropicais no Havaí.

A empresa inicialmente usava drones, mas concluiu que aviões são mais apropriados para levar equipamentos fotográficos pesados e conseguem cobrir áreas maiores. Uvas e nozes geram mais lucro que commodities como soja e milho e por isso gastam mais em desenvolvimento de tecnologia.

Alex Bergwerff, um agriculor de 32 anos do Vale Central, é um entusiasta da tecnologia agrícola de ponta. Depois de se formar na Universidade do Estado da Califórnia em Fresno, ele trabalhou numa série de agrotechs. Foi gerente de vendas de um aplicativo que permite a agricultores controlar e monitorar digitalmente suas linhas de irrigação. Hoje, com tablet numa mão e celular na outra, ele é administrador da empresa agrícola Winter Farming Inc. e planta amêndoas, nozes e uvas.

Com os sobrevoos da Ceres, em junho, ele descobriu que numa fileira de amendoeiras de sua fazenda em Oakdale as árvores estava avermelhadas, indício de forte estresse. Investigando, viu que, por uma razão qualquer, seus tubos de irrigação não estavam funcionando. Pediu imagens de fazendas próximas, que mostraram que irrigações erradas impediam que a água fluísse.

Ellis, o agrônomo da Olam, disse que usa a Ceres para sobrevoo das plantações de pistache, nozes e amêndoas da empresa. Para ele, hoje as fazendas da companhia estão mais eficientes em termos de irrigação e menos sujeitas a erros. As imagens o ajudam a detectar problemas antes que eles afetem a produção. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ  

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