Fazer ou não a cirurgia plástica?

Quando cremes e maquiagens já não são suficientes para alcançar os resultados estéticos desejados pelo consumidor, a plástica tem sido uma alternativa cada vez mais procurada - apesar de cara e arriscada. Dificuldade de acesso aos serviços de médicos especializados, cirurgias malfeitas e inclusive mortes, cujo risco sempre existe e é maior quanto mais agressiva for a intervenção cirúrgica, são alguns dos problemas que podem acontecer ao longo do tratamento. Conforme dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, só no ano passado 300 000 brasileiros fizeram plástica e houve um aumento de 50% do número de cirurgias nos últimos dois anos. Porém, o número de reclamações também é alto: em 1999, o Conselho Regional de Medicina recebeu 76% de denúncias a mais que no ano anterior, totalizando 74 casos. Estudo feito no ano passado pela Universidade de Nova York destaca a lipoaspiração como procedimento perigoso. Uma análise de 1.001 mortes relacionadas a procedimentos médicos em Nova York revelou que cinco casos estão associados a essa cirurgia estética. O estudo foi publicado no New England Journal of Medicine, uma das mais respeitadas publicações científicas da área médica. No Brasil há vários casos de imprudência relacionadas à lipoaspiração. Em Ribeirão Preto, no interior paulista, o ginecologista e obstetra Vanderson Bullamah recebeu acusações de imperícia e negligência na Justiça e no Conselho Regional de Medicina de São Paulo. As acusações são de lipoaspirações malfeitas, resultando em dois óbitos. As vítimas fatais do médico morreram com edemas nos pulmões e no cérebro, decorrentes do excesso de líqüido injetado no organismo durante a cirurgia. Problemas psicológicosPara evitar surpresas desagradáveis, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica recomenda que o futuro paciente tome uma série de cuidados, como procurar saber se o profissional escolhido para a cirurgia pertence à Sociedade, fazer consultas com mais de um médico, esclarecer todas as dúvidas detalhadamente e sem pressa, não acreditar em "milagres" e saber exatamente o que quer mudar em seu corpo."Muitas vezes o paciente tem problemas psicológicos e exagera em sua insatisfação com o próprio corpo. É recomendado que a cirurgia só se realize quando a análise objetiva e técnica do médico coincidir com a avaliação subjetiva que o cliente tem em relação a seu próprio corpo, ou seja, nos casos em que for constatado que há realmente uma alteração prejudicial da forma", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Luiz Carlos Garcia. Veja, em outra matéria, os riscos que as cirurgias plásticas representam aos pacientes.

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