Dado Ruvic/ Reuters
Dado Ruvic/ Reuters

FBI cria unidade dedicada a criptomoedas e Departamento de Justiça dos EUA contrata especialista

Anúncio ocorreu após o Departamento de Justiça ter realizado a maior apreensão financeira de todos os tempos no início de fevereiro

Sarah N. Lynch e Chris Prentice, Reuters 

18 de fevereiro de 2022 | 11h06

WASHINGTON - O Departamento de Justiça dos Estados Unidos contratou uma experiente promotora de crimes digitais para liderar sua nova equipe nacional de fiscalização e anunciou na última quinta-feira, 17, que o FBI está lançando uma unidade para análise de blockchain e apreensão de ativos virtuais. 

O anúncio ocorreu após o Departamento de Justiça ter realizado a maior apreensão financeira de todos os tempos no início do mês. Um casal de Nova York foi acusado de lavagem de dinheiro com bitcoins, hoje avaliados em mais de US$ 4,5 bilhões, que teriam sido roubados em 2016 em um ataque hacker a uma casa de câmbio de moedas digitais.  

Reguladores do governo do presidente Joe Biden têm aumentado o escrutínio da indústria de criptomoedas após uma série de ciberataques que ocorreram em 2021, na maior rede de oleodutos dos Estados Unidos e na maior fornecedora de carne bovina do mundo, a brasileira JBS, que tem subsidiária no país. 

Grupos de ransomware, ataques em que os criminosos sequestram dados, bloqueiam os sistemas e pedem resgate em dinheiro, geralmente demandam o pagamento em bitcoin. Ransom, em inglês, significa resgate. 

Em alguns desses casos, o FBI foi capaz de rastrear e recuperar uma parte do valor do resgate. Criptomoedas são baseadas na tecnologia blockchain, um banco de dados compartilhado através de uma rede de computadores, nos quais os registros são difíceis de alterar depois de adicionados. 

Em um discurso na Conferência de Segurança Cibernética na Alemanha, a vice-procuradora-geral dos Estados Unidos, Lisa Monaco, anunciou que Eun Young Choi, uma procuradora que liderou o caso contra um hacker russo que ajudou a roubar informações sobre mais de 80 milhões de clientes do banco JPMorgan & Chase, vai liderar a nova equipe. 

Eun Young Choi, que mais recentemente foi conselheira sênior de Lisa Monaco, trabalhou por quase uma década como coordenadora de crimes cibernéticos e advogada assistente no escritório do procurador dos Estados Unidos em Nova York. 

“Estamos alertando criminosos que usam criptomoedas”, disse Lisa. “Nós também apelamos às companhias que lidam com criptomoedas - precisamos de vocês para acabar com os abusos em criptomoedas. Para aquelas que não colaborarem, nós as responsabilizaremos onde pudermos”, afirmou. 

Lisa também anunciou a criação de uma nova iniciativa internacional de moedas virtuais e disse que o departamento será agressivo para acabar com ameaças cibernéticas, mesmo com o risco de alertar criminosos cibernéticos e colocar em risco potenciais acusações e apreensões. 

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