Febraban contesta FMI sobre concentração bancária no País

O economista-chefe da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Roberto Troster, concluiu estudo em que procura contestar trabalho da economista Agnès Belaisch, do Fundo Monetário Internacional (FMI), sobre a excessiva concentração bancária no Brasil. Troster inicia o estudo mostrando que não se pode utilizar dados isolados como número de bancos para determinar que um país tem excessiva concentração bancária. De acordo com dados do Banco Central, existiam 336 bancos operando no País em 1964 e hoje são 167 instituições. Troster observa que as economias podem ter menor número de bancos e o sistema financeiro ser mais eficiente e com maior produtividade. Segundo o economista, o número de bancos "não diz nada e pode levar a conclusões errôneas" sobre a análise de concentração.NúmerosNo período entre 1964 e 1988 houve uma concentração do sistema bancário brasileiro em parte incentivada pela legislação, diz. Em 1988, o País chegou a registrar 106 bancos. O estudo de Troster mostra, por exemplo, que durante o Plano Real houve uma concentração bancária no Brasil no período de 1994 a 1999 e desconcentração em seguida. A taxa de concentração do crédito nos três maiores bancos passou de 51,60% em 1994 para 54,70% em 1999 e declinou para 35,40% em 2002. As taxas de concentração dos depósitos nos três maiores bancos evoluíram de 44,30% em 1994 para 52,00% em 1999; 48,30% em 2000; 47,40% em 2001 e 48,20% em 2002. Segundo ele, o spread bancário - diferença entre a taxa de captação de recursos junto aos investidores e os juros dos empréstimos ? declinou de 139,22% em 1994 para 36,11% em 2000, tendo ligeiro aumento para 39,95% em 2001 e 41,83% em 2002. Comparações internacionaisO economista observa ainda que, em termos de comparações internacionais, "o sistema bancário brasileiro não é muito concentrado e houve um processo parecido em outros países da América Latina". Os três maiores bancos representam 41,50% dos ativos totais no Brasil, ante 60,20% no México; 35,50% na Argentina e 30,00% no Chile, segundo o estudo do economista-chefe da Febraban.

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