Febraban: crédito voltará mais caro

A rigidez dos bancos na concessão de crédito começa a sufocar as empresas brasileiras que precisam de capital para tocar os negócios. Nas últimas semanas, com a deterioração da crise financeira e as incertezas sobre os rumos da economia mundial, o dinheiro praticamente desapareceu do mercado e comprometeu o planejamento estratégico de companhias de setores e tamanhos diferenciados. Quem teve o privilégio de, pelo menos, ser atendido pelos gerentes bancários levou um susto com as condições embutidas nas linhas de financiamento: as taxas de juros dobraram, os prazos encolheram e as garantias foram ampliadas.Nem mesmo o esforço do Banco Central para irrigar o mercado de crédito conseguiu comover as instituições financeiras. Quase todo o dinheiro liberado do recolhimento dos compulsórios - que deveria manter a oferta de crédito no mercado - voltou para os cofres da autoridade monetária. Os bancos preferiram comprar títulos públicos a emprestar ao setor produtivo. Na sexta-feira, o volume de recursos que retornou ao BC ficou em R$ 65 bilhões, ante uma média de R$ 29 bilhões em agosto e R$ 49 bilhões em setembro.Em entrevista ao Estado, o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa, disse que as medidas ainda não fizeram o efeito esperado porque nem todos os recursos foram liberados. Mesmo quando isso ocorrer, ressalta, o crédito ficará mais caro. "Teremos uma condição melhor que a das últimas semanas, mas não é o cenário de seis meses atrás." Há quem diga que a falta de confiança dos bancos está relacionada às perdas milionárias de grandes empresas em operações de derivativos, a exemplo de Sadia, Aracruz e Votorantim. "Como ainda não se sabe quais companhias estão expostas ao chamado subprime brasileiro, as instituições ficam com um pé atrás em dar crédito e ficar no prejuízo lá na frente", explica o analista da Austin Rating, Luiz Miguel Santacreu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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