Agência Estado
HSBC Agência Estado

Febraban diz que bancos estão comprometidos com combate à lavagem de dinheiro

Série de documentos vazados obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos mostram que foram transferiram mais de US$ 2 trilhões em recursos suspeitos ao longo de quase duas décadas

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 14h20

Os bancos brasileiros estão comprometidos com a melhoria e o aperfeiçoamento, de forma constante, com os controles e prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLDFT), segundo a Federação Brasileiros das Bancos, a Febraban, em nota enviada ao Estadão/Broadcast nesta segunda-feira, 21.

O posicionamento diz respeito à revelação, feita após a obtenção de documentos por organizações da imprensa que formam o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês), de que grandes bancos fizeram mais de US$ 2 trilhões em transações suspeitas entre 1999 e 2017.

A reportagem cita HSBC, Standard Chartered, Barclays, Deutsche Bank, Commerzbank, JPMorgan Chase e Bank of New York Mellon.

"Os bancos e a Febraban sempre estarão do lado da transparência, dos princípios e valores éticos, participando ativamente do trabalho contra as práticas criminosas e contra os atos ilícitos que afrontam os cidadãos e as instituições, em relação aos procedimentos e aos controles internos relativos à prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Os bancos e a Febraban sempre estarão do lado da transparência", diz a nota assinada pelo presidente da entidade, Isaac Sidney.

Ele afirma que essas instituições são os maiores responsáveis pelas comunicações das operações suspeitas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). "Em 2019, foram feitas 118,5 mil comunicações de operações suspeitas, além de 2,919 milhões de operações em espécie de valores igual ou superior a R$ 50 mil. Com o apoio dessas comunicações, em 2019, o Coaf produziu 6.272 Relatórios de Inteligência Financeira", disse.

A entidade afirma ainda que é uma das fundadoras e participante ativa da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA), estando presente, assim, por meio do debate, fazendo propostas "para o constante aprimoramento regulatório e a adoção das melhores práticas na prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo"

"As áreas de PLD dos bancos não competem entre si, pelo contrário. Quanto mais robustos e convergentes forem os controles, mais protegido estará todo o setor financeiro", afirmou Sidney.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Denúncias de transações suspeitas causam ruído para bancos, mas não devem levar a aperto regulatório

Analistas dizem que bancos já foram alvo de forte aperto regulatório desde a crise de 2008, incluindo as recentes normas contra lavagem de dinheiro; cenário é ainda mais presente no Brasil, onde a legislação de câmbio vem sendo modernizada

Altamiro Silva Júnior e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 16h58

Novas denúncias de transações suspeitas por alguns dos maiores bancos do mundo, incluindo nomes como Deutsche Bank, JPMorgan e HSBC, que chegam a US$ 2 trilhões em operações, podem aumentar a inspeção sobre o setor financeiro no curto prazo, mas não devem gerar nova rodada de aperto regulatório, segundo analistas internacionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast. O respingo no Brasil deve ser via mercado, na opinião destes profissionais, por causa do aumento da aversão a risco, pois a legislação brasileira já é mais dura.

 A avaliação de analistas em Londres, São Paulo e Nova York é que os bancos já foram alvo de forte aperto regulatório desde a crise financeira mundial de 2008, incluindo mais recentemente normas fechando o cerco à lavagem de dinheiro. Esse cenário é ainda mais presente no Brasil, onde além de novas regras para banir o dinheiro sujo do mercado, a legislação de câmbio vem sendo modernizada.

Outro ponto mencionado pelos especialistas é que as denúncias das operações nos documentos obtidos pelo site BuzzFeed News e compartilhados com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) são de operações de anos passados, algumas com início em 1997 e que vão até 2017. Ou seja, muitas já são conhecidas dos reguladores e já foram alvo de multas e resoluções, observa um gestor em Nova York. Para ele, é pouco provável que resultem em novo aperto regulatório ao setor financeiro.

O Deutsche Bank destaca exatamente este ponto em comunicado hoje, chamando atenção que as denúncias tratam "de questões históricas". O banco alemão observa que elas são "bem conhecidas por nossos reguladores", têm sido investigadas e já levaram a criação de novas normas e resoluções. Na mesma direção, o HSBC, que tem uma história de escândalos financeiros, incluindo o caso de lavagem de dinheiro que ficou conhecido como Swissleaks e relacionados a cartéis de drogas no México - e que foi tema da série 'Na Rota do Dinheiro Sujo' da gigante de streaming audiovisual Netflix, afirma que a denúncia trata de informação "histórica" e que desde 2012 vêm se empenhando para lidar com a questão.

Para um analista estrangeiro, especializado em bancos, pode ser que, nos desdobramentos futuros da investigação, apareça algum banco brasileiro, mas ele considera, a princípio, improvável. "A dificuldade de mexer com esse tipo de coisa é altíssima no Brasil. Os bancos acabam preferindo perder a transação a ter o risco. Se aparecer, imagino que seria no mundo de private, que é onde as engrenagens tendem a ser mais azeitáveis", opina. "Mas continuo achando improvável", diz.

"Sempre há reflexos. Não há como não haver. A grande questão da regulação bancária é 'não ir além, sem ficar aquém'", diz um advogado, especialista no setor bancário. Ele lembra que quando há elementos dentro do sistema especificamente para corrompê-lo, é mais difícil a prevenção imediata ou mesmo preventiva. Hoje, contudo, pondera, o rastreamento nos bancos brasileiros é de 100%. "Este 'mercado' está sempre um passo a frente procurando brechas", alerta.

Os estrategistas do banco americano Brown Brothers Harriman (BBH) veem impacto principalmente no curto prazo, nos preços das ações do setor, que já vinham sendo pressionados pelo temor dos investidores com os reflexos da pandemia na qualidade dos ativos. "Os grandes bancos globais estão sob pressão", afirmam nesta segunda-feira.

O executivo de um grande banco também vai nessa direção e avalia que o efeito no Brasil deve ser indireto, devido ao aumento da volatilidade nos mercados globais que altera os preços dos ativos e fluxos por aqui. A leitura, reforça, é de que o impacto da investigação ficará restrito ao exterior. Durante reunião com boa parte da diretoria do banco, na manhã de hoje, o tema, afirma, sequer foi abordado.

Por conta das regras mais rigorosas aqui, o Brasil não deve ser impactado, ao menos por ora, pelo escândalo, avalia uma fonte do Banco Central, na condição de anonimato. "Não vejo grandes impactos por ora, a menos que isso tenha sido um gatilho para outras crises lá fora", diz a fonte da autoridade monetária, que prefere não ser identificada. "Por aqui, nossas regras são rigorosas e nossa supervisão é boa", acrescenta.

Além disso, as normas de prevenção à lavagem de dinheiro foram recentemente atualizadas no Brasil e as regras de câmbio vêm sendo modernizadas. Entra em vigor a partir de outubro circular do BC, publicada em janeiro, e que torna mais dura a regulamentação dos procedimentos e controles internos a serem adotados pelos bancos no País visando à prevenção da utilização do sistema financeiro para a prática dos crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Bancos globais buscam conter danos após relatos de mais de US$ 2 tri em transferências suspeitas

Reportagem do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos mencionou HSBC, Standard Chartered, Barclays, Deutsche Bank, Commerzbank, JPMorgan Chase e Bank of New York Mellon

Reuters

21 de setembro de 2020 | 13h09
Atualizado 21 de setembro de 2020 | 17h04

HONG KONG/NOVA YORK - Bancos de todo o mundo enfrentam nesta segunda-feira, 21, um escândalo sobre dinheiro sujo, enquanto tentam limitar as consequências de uma série de documentos vazados que mostram que transferiram mais de US$ 2 trilhões em recursos suspeitos ao longo de quase duas décadas. 

HSBC, Standard Chartered, Barclays, Deutsche Bank, Commerzbank, JPMorgan Chase e Bank of New York Mellon estavam entre os bancos mencionados na reportagem do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), feito com base em documentos vazados obtidos pelo site BuzzFeed News.

Segundo o consórcio, durante 16 meses, mais de 400 jornalistas de 110 veículos de imprensa de 88 países analisaram os documentos. O conjunto de relatórios vazados aponta para clientes de bancos em mais de 170 países envolvidos em potenciais transações ilegais. O ICIJ informou também que teve acesso a mais de 17 mil registros de denunciantes, arquivos judiciais, solicitações de liberdade de informação e outras fontes. A equipe de jornalistas entrevistou centenas de pessoas, incluindo especialistas em crimes financeiros, policiais e vítimas de crimes.

Para o ICIJ, os documentos "oferecem uma visão sem precedentes de um universo secreto de bancos internacionais, clientes anônimos e, em muitos casos, crimes financeiros", que podem ter contribuído para a promoção da desigualdade social e uma série de atividades criminosas ao redor do mundo.

Embora alguns bancos tenham afirmado que muitas das transações ocorreram há muito tempo, e que desde então eles haviam implementado robustas medidas contra a lavagem de dinheiro, os investidores estavam claramente preocupados.

As ações do HSBC e da StanChart atingiram seu nível mais baixo em 25 anos, embora tenham se saído um pouco pior do que seus pares em meio a uma queda mais ampla de ações globais.

As reportagens foram baseadas em 2.100 relatórios de atividades suspeitas (SARs, na sigla em inglês) vazados, cobrindo transações entre 1999 e 2017, protocolados por bancos e outras instituições financeiras junto à Rede de Execução de Crimes Financeiros (FinCen) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Mas uma análise de 2.100 SARs obtida pelo BuzzFeed News, que trabalhou com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e outras organizações de mídia, descobriu que alguns relatórios foram feitos meses depois que as transações suspeitas ocorreram e que muitas vezes poucas outras medidas foram tomadas.

“Isso mostra que o gerenciamento do risco de crimes financeiros vai além da produção de SARs”, disse Etelka Bogardi, sócia de serviços financeiros da Norton Rose Fulbright em Hong Kong.

As ações do Deutsche Bank, que estava envolvido no maior número de SARs na reportagem do BuzzFeed, chegaram a cair mais de 8% na manhã desta segunda-feira.

Papéis do JPMorgan e do Bank of New York Mellon, que também estavam entre os cinco bancos mencionados com mais frequência nos relatórios, caíam 2,6% e 2%, respectivamente.

Nos últimos anos, os bancos aumentaram os investimentos em tecnologia e em equipes para lidar com os requisitos regulatórios mais rígidos de combate à lavagem de dinheiro e sanções em todo o mundo.

Milhares de clientes tiveram contas bancárias fechadas em grandes centros de riqueza, incluindo Hong Kong e Cingapura, após um escândalo de lavagem de dinheiro na Malásia, além do “Panama Papers” e um impulso global para a transparência tributária.

Especialistas em governança disseram que parte do problema agora era que os bancos estavam lutando para distinguir entre transações suspeitas e não suspeitas, então estavam simplesmente arquivando milhões de SARs que as agências de fiscalização não tinham capacidade para lidar.

“Muitos bancos estão lutando com altas taxas de falsos positivos e o acúmulo (de casos existentes). É por isso que você vê que às vezes os SARs surgem mais de 100 dias após a transação”, disse Cliff Lam, diretor da AlixPartners em Hong Kong.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Acusação contra bancos faz Bolsa cair 1,3% e dólar fechar a R$ 5,40

Notícia de que grandes bancos internacionais, como JP Morgan e HSBC, teriam movimentado US$ 2 trilhões em dinheiro sujo fez o Ibovespa voltar aos níveis de julho

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 09h10
Atualizado 21 de setembro de 2020 | 19h35

O mercado financeiro global foi impactado nesta segunda-feira, 21, por um escândalo de suposta movimentação de dinheiro sujo por grandes bancos, como HSBC, Standard Chartered e JPMorgan. Como não podia ser diferente, a notícia teve impacto direto nos negócios da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou em queda de 1,32%, aos 96.990,72 aos pontos. O impacto também foi sentido no dólar, que apesar de ter diminuído o movimento de alta ante o real, ainda fechou com ganho de 0,43%, a R$ 5,4005.

De acordo com uma reportagem de consórcio internacional de veículos de imprensa, mais de US$ 2 trilhões de origem potencialmente ilícita foram transacionados no sistema financeiro internacional por quase duas décadas. Após o vazamento, as instiuições procuraram alcalmar os investidores, informando que se tratavam muitas vezes de transações antigas e que desde então, medidas robustas contra a lavagem de dinheiro já foram colocadas em prática. Por aqui, a Federação Brasileiros das Bancos (Febraban), também disse que os bancos brasileiros estão estão comprometidos com a melhoria e aperfeiçoamento das medidas de segurança.

Segundo analistas internacionais ouvidos pelo Estadão/Broadcast, as denúncias podem aumentar a inspeção sobre o setor financeiro no curto prazo, mas não devem gerar nova rodada de aperto regulatório. Porém, de acordo com esses especialistas, o impacto mais profundo será sentido apenas via mercado, principalmente no caso do Brasil, onde a legislação brasileira já é mais dura.

De fato, a aversão aos riscos predominou principalmente nas Bolsas - no caso do Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, a queda fez com que ele caísse aos 96 mil pontos, o que não era visto desde julho. Na mínima do dia, ele caiu aos 95 mil pontos. A tensão externa afetou um mercado local já na defensiva pelos temores em relação à área fiscal - ou seja, o aumento da dívida pública e a dificuldade extra que o governo terá para equacioná-la.

"O Ibovespa vinha defendendo bem a linha dos 98 mil pontos, perdida na sessão, em razão desta aversão a risco desde o exterior. Mas as perdas se mostraram moderadas para o dia, com o desempenho positivo de ações do setor de varejo eletrônico, voltados à economia doméstica, como B2W (+4,01%), Magazine Luiza (+1,77%) e Lojas Americanas (+0,31%)", observa Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

Com a cautela, no entanto, as ações da Vale caíram 2,69% e as do Bradesco On 1,76%. Já as ações da Petrobrás On e Pn cederam 3,01% e 3,46% cada, em um dia negativo também para os contratos do petróleo no exterior - hoje, o WTI para novembro fechou em baixa de 4,31%, a US$ 39,54 o barril e o Brent para o mesmo mês recuou 3,96%, a US$ 41,44 o barril. Também perderam Gol, AzulEmbraer com 8,46%, 7,80% e 4,79% cada.  O índice acumula agora perda de 2,39% no mês e de 16,13% no ano.

Câmbio

O dólar operou sob pressão na sessão de negócios de hoje em meio ao ambiente de aversão a risco visto no exterior, que levou ao fortalecimento da divisa americana frente à maioria das moedas no globo. No entanto, segundo profissionais de câmbio, o que amplificou mesmo o movimento de alta frente ao real, levando a cotação à máxima intraday a R$ 5,4974 durante a manhã, foi uma questão técnica: o exercício de opções sobre ações na B3, que movimentou R$ 10,468 bilhões, proporcionou o rearranjo de carteiras envolvendo além de ações, câmbio e juros.

"Como o clima ficou muito ruim nos mercados hoje, contratos que não iam ser exercidos tiveram que ser e isso mexeu com as posições de câmbio e juros. Em dia de vencimento de opções, há uma revisita à carteira como um todo, nas estratégias de arbitragem. Isso deixa os movimentos amplificados tanto na alta quanto na baixa, como foi hoje", disse Pedro Lang, chefe de Renda Variável da Valor Investimentos.

O Dollar índex (DXY) operou em alta durante todo o dia e, às 17h19, avançava 0,67% (93,550 pontos). Neste mesmo horário, o dólar futuro tinha alta de 0,07%, a R$ 5,3970. Mais cedo, o Credit Default Swap (CDS) de 5 anos do Brasil, termômetro do risco-país, operava em alta, a 232 pontos e testava os níveis mais altos desde 16 de julho. Hoje, o dólar para outubro encerrou com alta de 0,43%, a R$ 5,4160.

Bolsas do exterior

O dia foi negativo também para o mercado acionário de Nova York, que mesmo tendo diminuído as perdas, ainda encerrou em baixa. O Dow Jones caiu 1,84%, o S&P 500 cedeu 1,16% e o Nasdaq teve perda mais leve, de 0,13%. Por lá, a ação do Goldman Sachs caiu 0,99%, acompanhada por JPMorgan, com 3,19%, Bank Of America, com 3,35% e Citigroup, com 2,90%, alguns deles citados nas denúncias veiculadas pela imprensa.

Na Europa, as Bolsas tiveram o pior pregão em três meses com os escândalos envolvendo algumas das principais instiuições financeiras do mundo. Hoje, o Stoxx 600 caiu 3,24%, enquanto a bolsa de Londres caiu 3,38% - por lá, as ações do HSBC caíram 5,20%. Paris teve queda de 3,74% e Frankfurt cedeu 4,37%. Madri, Milão e Lisboa tiveram baixas de 3,43%, 3,75% e 2,22% cada.

O resultado no mercado asiático não foi muito diferente: os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 0,63% e 0,52% cada, enquanto o Hang Seng caiu 2,06% em Hong Kong. Já o sul-coreano Kospi teve baixa de 0,95% e o Taiex caiu 0,63% em Taiwan. A bolsa de Tóquio não operou devido a um feriado no Japão. A Bolsa australiana encerrou com queda de 0,71%. /LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Após relatos de atividade ilícita, ações do HSBC fecham no menor nível desde 1995

Papéis do banco britânico tiveram forte queda na Bolsa de Hong Kong e caem 5% em Londres

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2020 | 09h08
Atualizado 21 de setembro de 2020 | 18h05

As ações do banco britânico HSBC, listado na Bolsa de Valores de Hong Kong, fechou esta segunda-feira, 21, em seu nível mais baixo desde meados de 1995, depois que vários meios de comunicação publicaram uma investigação que mostraria que a entidade permitiu que milhões de dólares fossem transferidos de forma fraudulenta. A denúncia também inclui o banco britânico Standard Chartered

Os papéis do HSBC encerraram o dia valendo US$ 3,78, o que representa uma queda de quase 52% desde o início do ano e quase 81% em relação ao pico histórico, alcançado em 2007, pouco antes da crise financeira global.

As alegações, feitas pelo site BuzzFeed News em parceira com organizações noticiosas que incluem o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, pela sigla em inglês), se baseiam em documentos vazados sobre transações de mais de US$ 2 trilhões ocorridas principalmente entre 2011 e 2017.

Os documentos foram submetidos à Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN), órgão do Departamento do Tesouro dos EUA, e detalham operações supostamente ligadas a crimes financeiros, como lavagem de dinheiro. "Assumimos nossa responsabilidade de combater crimes financeiros de forma extremamente séria e temos investido substancialmente em nossos programas de conformidade", disse o Standard Chartered ao The Wall Street Journal. Procurado, o HSBC ainda não se pronunciou sobre a alegação.

Os recursos ilícitos teriam sido movimentados num período de quase duas décadas, segundo a agência de notícia Reuters.

O HSBC está sediado em Londres - onde também está listado na Bolsa - mas foi originalmente fundado em Hong Kong em meados do século 19 e continua a manter a maior parte de sua atividade no continente asiático. Na Bolsa inglesa as ações do HSBC fecharam com queda de 5,20% na manhã desta segunda-feira. 

Tudo o que sabemos sobre:
HSBCLondres [Inglaterra]Hong Kong

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.