Febraban: juro básico deve subir a 12,75% até dezembro

Uma pesquisa de projeções e expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgada hoje mostra que o mercado já conta com a elevação do juro básico da economia (taxa Selic) pelo Banco Central para controlar a inflação. Em junho, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, 69% dos bancos consultados pela Febraban apostam que a taxa Selic vai subir 0,50 ponto porcentual, para o nível de 12,25% ao ano. A taxa já foi elevada em 0,5 ponto há duas semanas, para o atual nível de 11,75% ao ano. O juro deve subir mais 0,5 ponto e encerrar o ano em 12,75% ao ano, de acordo com a projeção da pesquisa.Para a inflação, a previsão média dos 35 bancos consultados pela entidade para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano subiu de 4,48% para 4,75%, enquanto as apostas para o IPCA de 2009 avançaram de 4,30% para 4,35%. O centro da meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 4,5% ao ano.O economista-chefe da Febraban, Nicola Tingas, vê uma "pressão generalizada" nos preços. "O quadro inflacionário está se tornando mais robusto", disse. Entretanto, ele destacou que a pesquisa divulgada hoje mostra um cenário de transição de expectativas, chamando a atenção para uma concentração crescente nos níveis mais elevados dos juros. Ele destacou que as previsões de alguns bancos para a taxa básica Selic chegam a até 13,75% ao ano.PIBA perspectiva de crescimento da economia brasileira permanece positiva. Segundo a pesquisa da Febraban, realizada em 24 e 25 de abril, a média das previsões dos 35 bancos consultados para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano subiu de 4,63% para 4,66%, enquanto as projeções para 2009 recuaram levemente, de 4,20% para 4,19%.Os economistas consultados pela instituição citaram como maiores riscos para suas projeções o aumento dos preços de matérias-primas (commodities), o avanço da pressão inflacionária global, a desaceleração do crescimento da China e a deterioração da economia norte-americana. No cenário doméstico, as maiores ameaças vêm da pressão dos preços dos alimentos e do descompasso entre oferta e demanda na economia.Balança comercialApesar da aceleração do ritmo das importações, o cenário para o comércio exterior também permanece positivo. A estimativa média dos bancos consultados pela Febraban para o superávit comercial deste ano caiu de US$ 27,4 bilhões para US$ 24,48 bilhões. Para 2009, o saldo previsto para a balança comercial é de US$ 18,70 bilhões.As perspectivas para exportação esse ano formam revisadas em alta de US$ 177,99 bilhões para US$ 180,26 bilhões, mas a aceleração das importações ficou mais evidente: a previsão média avançou de US$ 150,58 bilhões para US$ 155,79 bilhões.CâmbioCom relação ao câmbio, as previsões para a cotação do real ficaram praticamente estáveis em relação à pesquisa anterior. Para 2008, a previsão caiu de R$ 1,77 para R$ 1,74 por dólar, e para 2009, de R$ 1,83 para R$ 1,82 por dólar.

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