Febraban reconhece falta de crédito e explica juros altos

O presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, disse que a razão de o setor produtivo ter pouco acesso ao crédito é que existe um grande tomador de recursos, que é o Estado deficitário. Assim, não sobram recursos para a indústria, segundo ele. "Sem dúvida, os juros hoje no Brasil prejudicam a atividade produtiva e inibem investimentos, mas os bancos não são os grandes vilões da economia", afirma. Segundo Ferreira, há vários fatores na composição dos juros, além do lucro dos bancos. Um dos componentes importantes, de acordo com ele, é a carga tributária, que tem um peso de 30% no custo do dinheiro. Outro fator é o gasto que os bancos têm com a cobrança das garantias dos empréstimos e execução de contratos. "Para cumprirem a função principal do setor, que é dar crédito, as instituições financeiras têm de operar com custos baixos e ser competentes na gestão de riscos", avalia. Ferreira disse que uma das saídas para a redução dos custos é a aprovação no Congresso da nova Lei de Falências. Para ele, as normas atuais "não são razoáveis" porque privilegiam o devedor ao dificultar a cobrança de garantias. "Se houver uma lei de falências melhor, haverá redução do risco Brasil e, conseqüentemente, do spread bancário", diz. O spread bancário é a diferença entre a taxa de captação de recursos junto aos investidores e os juros cobrados nos empréstimos.

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