Fechamento de capital da Biobrás será revisto

A dinamarquesa Novo Nordisk vai mudar a operação de fechamento de capital de sua controlada brasileira, a produtora de insulina Biobrás. Depois de enfrentar forte polêmica com os acionistas minoritários, a companhia anunciou ontem que vai rever a operação.A discussão ocorre em torno do preço que a Novo Nordisk está oferecendo para comprar as ações da Biobrás no mercado. No ano passado, a dinamarquesa adquiriu o controle da produtora de insulina e pagou R$ 16 por ação.No entanto, para ficar com os papéis dos minoritários e fechar o capital, a Novo Nordisk oferecia até então um valor bem inferior, de R$ 5,50. Um grupo de acionistas, defendido pelo ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Francisco da Costa e Silva, estava pedindo R$ 12,80, baseado nos valores utilizados na aquisição.A reclamação desses investidores tem peso porque eles representam 42,5% das ações em circulação da Biobrás, o suficiente para impedir o fechamento de capital. Para conseguir tirar a empresa brasileira do mercado, a Novo Nordisk precisa da adesão de 67% dos acionistas.Segundo uma fonte que acompanha o caso, foi selado um acordo entre controlador e minoritários na sexta-feira, depois de extensa negociação. Até o fechamento desta edição, a companhia ainda não havia divulgado as novas condições da oferta, mas a expectativa é que ofereça um novo valor aos minoritários, mais próximo de sua reivindicação.A diretora de relações com investidores da Biobrás, Cristina Varella, afirmou que a nova operação será divulgada em breve. "Até porque as ações estão suspensas na Bolsa paulista." A queda-de-braço entre os dois lados teve vários lances. Em agosto, o vice-presidente de operações internacionais para América Latina da controladora, Sérgio Noschang, afirmou que a empresa desistiria do fechamento de capital - o que acabou não acontecendo. A afirmação foi entendida pelos minoritários como pressão para que aceitassem o preço. Noschang encontrava-se em viagem ontem e não pôde ser contatado.Na semana passada, a Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec) enviou uma carta à CVM, reclamando da operação. "Estamos pedindo o aumento do preço da oferta", afirmou o presidente da associação, Waldir Corrêa.Além do problema com os minoritários, a companhia também enfrenta questionamentos da CVM. Tanto que a área técnica da autarquia negou o pedido para a operação. A CVM questiona práticas contábeis adotadas nos balanços da Biobrás, e o caso está sendo analisado pelo colegiado.

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