Fechamento de mídia pública provoca ira grega

Segundo governo, medida tomada na terça-feira é temporária para estancar o que chamou de 'desperdício incrível' do dinheiro dos contribuintes

ATENAS, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2013 | 02h09

O governo da Grécia enfrentou uma revolta interna e indignação pública ontem com o fechamento repentino da rede de televisão estatal ERT, horas depois da humilhação de ver sua Bolsa ser rebaixada ao status de mercado emergente.

O duplo revés, juntamente com problemas no programa de privatização, reverteu um aumento na confiança do investidor que havia levado o primeiro-ministro Antonis Samaras a dizer que o risco de uma saída da Grécia da zona do euro estava morto e que a recuperação do país estava a caminho.

Os retornos dos títulos de dez anos da Grécia voltaram a ficar acima de 10%, depois que Atenas falhou em vender a empresa estatal de gás Depa na segunda-feira, colocando o país sob o risco de não atingir suas metas de resgate.

O mercado acionário atingiu mínimas em dois meses depois que a Grécia se tornou o primeiro país desenvolvido da história a ser rebaixado para status de mercado emergente pela fornecedora de índices acionários MSCI. O governo se recusou a comentar sobre a reclassificação do mercado, à medida que tenta combater uma revolta crescente com o fechamento dramático da ERT, que causou a ira de jornalistas, sindicatos e líderes do espectro político.

A rede pública de televisão foi tirada do ar poucas horas após de seu fechamento ser anunciado, no que o governo disse ser uma medida temporária para estancar um "desperdício incrível" do dinheiro dos contribuintes antes de sua reinauguração como uma rede pequena.

Sindicatos trabalhistas convocaram uma greve nacional de 24 horas para hoje e os jornalistas entraram em greve sem previsão de término, causando um apagão de notícias nos canais de televisão e jornais privados.

Dívida. Especulações sobre um possível novo desconto (haircut) sobre a dívida da Grécia são um "absurdo" irreal espalhado por alguns "sonhadores de Atenas", afirmou uma fonte de alto escalão da União Europeia ouvida pela Market News International. Segundo a autoridade, os parceiros europeus da Grécia precisam considerar no próximo ano outro tipo de concessão para reduzir o ônus da dívida do país, desde que o governo grego cumpra os compromissos assumidos.

Ninguém do FMI sugeriu uma reestruturação da dívida grega na época do primeiro resgate oferecido ao país, disse a fonte em resposta a recentes insinuações do Fundo de que a Europa ajudou a gerenciar mal o primeiro pacote de ajuda.

A autoridade também afirmou que o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, "não disse que haverá outro haircut" em Atenas durante uma visita recente ao país. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.