'Fechamento' do governo dos EUA fica mais próximo

Plano do Senado americano de financiamento temporário do governo é rejeitado na Câmara; prazo para acordo termina hoje

O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2013 | 02h16

WASHINGTON - A Câmara dos Representantes dos EUA decidiu ontem continuar no curso de colisão com o Senado, após uma votação que resultou em 231 votos favoráveis e 192 contra para acabar com a Affordable Care Act (ACA), legislação de reforma nacional da saúde - apelidada de Obamacare - que a Casa Branca promete salvar.

A Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, partido de oposição ao presidente Barack Obama, aprovou um plano que impõe um adiamento de um ano em partes importantes da lei da reforma da saúde e rejeita um aumento de imposto sobre alguns aparelhos médicos.

O Congresso dos EUA está em meio a negociações para aprovar um projeto de financiamento temporário para o ano fiscal de 2014 antes da noite de segunda-feira, quando termina o atual ano fiscal do país.

O presidente Barack Obama e o Senado, controlado pelos democratas, rejeitaram o plano mais recente dos republicanos. A Casa Branca prometeu um veto e disse que os republicanos estavam buscando uma "agenda ideológica estreita e levando o governo a uma paralisação". Obama, no entanto, nem deve ter a chance de vetar a legislação, já que o líder da maioria no Senado, Harry Reid, disse que a proposta será rejeitada.

Se os parlamentares não chegarem a um acordo, haverá uma paralisação parcial das agências federais a partir da terça-feira, com dezenas de milhares de funcionários entrando em férias coletivas. O projeto que financia o governo até 15 de novembro foi aprovado pelo Senado e devolvido à Câmara com a adição de recursos para a reforma da saúde.

Fechamento. O último fechamento do governo ocorreu em 1996 e durou 23 dias. Acredita-se que a paralisação deste ano pode durar mais. Desta vez, nenhuma das 12 medidas de financiamento do governo foi aprovada, o que provocará a paralisação de todos os setores, exceto as funções que possuem sua própria fonte de recursos.

Esta é mais uma das batalhas fiscais que têm dominado Washington nos últimos anos, evidenciando a profunda divisão entre os republicanos e o governo Obama e seus aliados democratas. Nas ocasiões anteriores, os dois lados conseguiram chegar a acordos de última hora para evitar uma paralisação.

"Concordo que devemos ter esse debate, mas não devemos fazer uma ligação entre isso (Obamacare) e uma paralisação do governo", disse o senador democrata Tim Kaine, da Virgínia. "Não vamos aprovar o projeto porque é errado paralisar o governo para obter mudanças."

A previsão do Senado era se reunir apenas na tarde de hoje, 10 horas antes de uma possível paralisação, o que foi duramente criticado pelo presidente da Câmara, John Boehner, de Ohio. Caso eles se reúnam no horário previsto, estarão cometendo um ato de "extrema arrogância", disse, em comunicado. "Eles estarão deixando o país deliberadamente à beira de uma paralisação, só para aumentar impostos sobre marca-passos de idosos e aparelhos auditivos para crianças, e para levar adiante essa bagunça que é a lei de reforma da saúde do presidente", afirmou.

Porém, até alguns republicanos acreditam que o senador democrata Harry Reid está em vantagem na disputa. "Não vamos paralisar o governo", disse o terceiro principal líder republicano na Câmara, Kevin McCarthy, da Califórnia. "Se tivermos de negociar um pouco mais, continuaremos a negociar."

Ele indicou que a Câmara "se reuniria a tempo, enviaria outra proposta - não para paralisar o governo, mas para financiá-lo - e apresentaria outras opções para o Senado analisar". Segundo McCarthy, porém, a Câmara não vai ceder na questão de "mudanças fundamentais no Obamacare que podem proteger a economia".

"O povo americano rejeita amplamente o Obamacare", disse o senador republicano Ted Cruz, do Texas. "Eles entendem que não está funcionando. As únicas pessoas que não estão escutando esse argumento são os políticos de carreira em Washington." / ASSOCIATED PRESS E DOW JONES NEWSWIRES

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