Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

‘Fechei a locação sem ter visitado o apartamento’

Boa experiência em alugar imóvel com visita virtual dá confiança para compras totalmente digitais

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2021 | 23h59

A boa experiência de alugar um apartamento só a partir de fotos e de uma visita virtual e o imóvel corresponder ao que foi anunciado nos sites imobiliários está dando confiança às pessoas para irem às compras de forma totalmente digital. O analista de sistemas Michel de Souza, de 32 anos, é um desses novos consumidores do e-commerce imobiliário. “O apartamento que eu moro hoje é alugado, um fechei a locação sem nunca ter visitado e foi exatamente o que eu tinha visto no site”, conta.

O aluguel do apartamento onde mora desde agosto do ano passado, num bairro central da capital paulista, vai ficar inviável a partir do mês que vem por causa da explosão do IGP-M, que já acumula alta de mais de 35% em 12 meses, o indicador que baliza os reajustes da locação. A sinalização é de que o aluguel suba entre 15% e 20%. “Mesmo assim é muito, porque o meu salário teve correção de 2%.”

Preocupado com a situação, Souza começou a procurar pela internet apartamentos novos para compra que seriam entregues neste ano, a fim de se livrar do aluguel. Encontrou um imóvel na Lapa, de 30 metros quadrados, com sala, varanda, cozinha integrada e entrega prevista para outubro.

Fez um tour virtual, entendeu a planta, segundo ele, muito simples. “O máximo que eu fiz, para não falar que não visitei, foi passar de carro depois das 10 da noite, na frente do prédio”, conta. A intenção foi conhecer as ruas vizinhas, pois costuma sair nesse horário para passear com os cachorros.

Com base nessas informações, ele fez uma proposta virtual e fechou o negócio. Vai pagar R$ 236 mil pelo apartamento, financiado em 25 anos. Souza diz que não tem receio de encontrar algo diferente na hora de receber as chaves. “Não tem mistério, já moro num apartamento quase do mesmo tamanho. Só não tem varanda.”

Da mesma geração de Souza, que é antenada em tecnologia, o supervisor de vendas Diego Andreolli da Silva, de 35 anos, casado e sem filhos, é outro adepto do e-commerce de imóveis.

De mudança de Brasília (DF) para São Paulo, ele alugou em fevereiro um apartamento de 52 metros quadrados  sem nunca ter visitado fisicamente, só por imagens de vídeo. “Quando peguei a chave e fui abrir a porta pensei: meu Deus do céu, o que eu vou encontrar? E estava exatamente  conforme eu tinha visto no vídeo”, conta.

Quatro meses depois, com a vida mais estabilizada, Silva decidiu sair do aluguel e comprar um imóvel. “A experiência do aluguel me fez acreditar a ponto de eu procurar outra casa virtualmente para comprar”, diz ele.

Depois de procurar, Silva não teve de ir muito longe. Acabou fazendo uma oferta para o locador e comprou o apartamento onde já mora. Agora, não terá de enfrentar o frio na barriga na hora de pegar as chaves.

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