Fecombustíveis aponta problemas gerais e regionais do setor

Queda nas vendas, excesso de concorrência e discrepâncias tributárias entre os estados estão comprometendo a rentabilidade dos postos de combustíveis e ameaçam sua sobrevivência. A estimativa da Federação Nacional do Revendedores (Fecombustíveis) é de que pelo menos 50% dos 28 mil postos existentes no País estejam em condição "alarmantes" e em parte dos casos à beira da falência. "A abertura do mercado favoreceu a instalação de novos postos. Se por um lado isso foi benéfico para o consumidor, porque trouxe mais opções a ele, por outro reduziu o volume de vendas, o que comprometeu a margem de cada um", argumenta o presidente da Federação, Luiz Gil Siuffo Pereira. "À medida em que vende mais, um posto tem condições de reduzir sua margem sobre o produto, por questão de escala", diz. Segundo ele, a média de venda dos postos era, até quatro anos atrás, de 200 mil litros por mês, mas hoje este volume não ultrapassa os 130 mil litros nas grandes cidades. "O ideal para a sobrevivência de um posto de médio porte instalado em uma grande cidade seria que o volume de vendas fosse de no mínimo 300 mil litros", acredita Gil Siuffo. Na comparação de algumas capitais brasileiras, Belo Horizonte e Salvador, por exemplo, percebe-se que ambas possuem as mesmas condições de mercado, mas a primeira tem 400 postos, enquanto a segunda é atendida por 170. O resultado é que a gasolina acaba sendo mais barata na capital mineira, mas a condição dos postos é precária. Segundo o sindicato local, cerca de mil trabalhadores já foram dispensados no estado nos últimos dois anos por causa do fechamento de postos. Postos em estrada Se considerados os postos instalados em estradas, as situação é ainda mais grave em estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Ceará e Mato Grosso. Nestes casos, o óleo diesel (combustível que responde por 80% do faturamento de um posto de estrada ) tem tributação muito acima do que os estados vizinhos e isso está fazendo com que os postos localizados no limite entre interestadual fechem as portas. Em Minas, 200 postos de estrada já encerraram as atividades desde que o governo estadual elevou a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para 18%. Em São Paulo e no Rio esta alíquota é respectivamente de 12% e 13%, o que representa em média R$ 0,10 a cada litro. "Os caminhões chegaram ao cúmulo de instalarem um tanque reserva em seus caminhões para vir a Minas, deixar a carga e voltar ao seu estado de origem sem abastecer", explica Paulo Miranda Soares do MinasPetro, sindicato estadual da revenda.

Agencia Estado,

28 Julho 2003 | 18h22

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