Fecomercio: confiança dos economistas caiu este mês

A expectativa dos analistas em relação à recuperação da economia pós-crise registrou ligeira queda em dezembro, apontou o Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia (ISE), calculado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) em parceria com a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB). O indicador, divulgado hoje e que leva em conta a opinião de cerca de cem economistas da OEB, caiu para 110 pontos em dezembro, ante 111,5 pontos registrados em outubro e repetidos em novembro.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

29 de dezembro de 2009 | 18h14

Na comparação com dezembro do ano passado, o ISE teve crescimento de 54,7%, passando dos 71,1 pontos para os 110 pontos. A forte alta já era esperada, já que o desempenho do mês de dezembro do ano passado foi um dos piores da série em razão do agravamento da crise mundial.

Os analistas da Fecomercio-SP também observaram que, apesar da queda mensal, o indicador permanece pelo quarto mês consecutivo no patamar de otimismo. O índice tem escala de zero a 200 pontos, sendo que há pessimismo quando o ISE está abaixo de 100 pontos e otimismo quando está acima deste nível.

Na avaliação da entidade, os economistas consultados permanecem otimistas em relação ao futuro da economia nacional, em virtude dos sinais de arrefecimento da crise. "No Brasil, há indicadores claros de que a economia está no rumo de crescimento, com aumento do emprego, do crédito e da massa de rendimentos", explicou o economista da Fecomercio-SP, Guilherme Dietze.

A entidade atribuiu a ligeira queda mensal do indicador à preocupação com uma possível elevação da Selic (a taxa básica de juros da economia), que está atualmente em 8,75% ao ano. Também existe um temor em relação ao aumento dos gastos públicos, principalmente depois do anúncio da elevação do salário mínimo dos atuais R$ 465 para R$ 510. Para os economistas, não há perspectiva de redução do gasto, o que deve pressionar a inflação e resultar na elevação da taxa básica de juros. "Esses itens devem continuar no patamar de pessimismo, influenciando negativamente o índice geral", afirmou Dietze.

Dos nove itens que compõem o ISE, seis permaneceram em grau de otimismo em dezembro: nível de atividade interna (179,3 pontos), cenário internacional (162), nível de emprego (142,3), salários reais (113,6), oferta de crédito ao consumidor (124,1) e taxa de câmbio (101,6). Os três itens que se mantiveram na faixa de pessimismo foram taxa de inflação (82,4 pontos), taxa de juros (73,7) e gastos públicos (11).

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