Fecomercio rechaça Mantega em debate sobre CPMF

Repensar os gastos e não se preocupar tanto com a receita. Analisar os ganhos, para não atingir o bolso dos brasileiros com elevação de alíquotas de tributos ou mesmo com um corte de recursos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), o orçamento do governo para o País deve ser menos ortodoxo na avaliação da receita e pensar mais em formas de atenuar gastos.Trata-se de uma reprovação à afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que disse ontem que se o projeto de prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) fosse derrubada no Senado o governo teria que adotar medidas que aumentassem a alíquota de outros tributos ou reduzir investimentos previstos no PAC. "Não tem nenhum plano B. Se não aprovar (a prorrogação), o plano B será fazer cortes muito importantes", declarou Mantega ontem em tom de ameaça.Para o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman, o caminho não é bem esse. "O governo precisa reavaliar os mecanismos pelos quais estes recursos são utilizados", ponderou. "A CPMF foi criada para a saúde e nestes 13 anos de existência pouco foi destinado ao setor", alfinetou Szajman.De acordo com a Fecomercio, em 2007 estima-se que a arrecadação com a CPMF atinja um valor de R$ 36 bilhões. Segundo a entidade, o montante representa mais de 7% do total do faturamento do varejo, avaliado em cerca de R$ 500 bilhões. "Isto faz com que os consumidores abram mão de seu poder de compra e conseqüentemente o varejo perca receita em razão do tributo", comentou a entidade, em comunicado, lembrando que no ano que vem o esperado pelo governo é que a CPMF arrecade quase R$ 40 bilhões.

PEDRO HENRIQUE FRANÇA, Agencia Estado

11 de outubro de 2007 | 14h48

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.