FecomercioSP prevê que desemprego pode superar 10% em 2015

Para a associação, o resultado de julho mostra que os cortes no primeiro semestre não foram suficientes para os empresários se ajustarem à desaceleração da economia

Mário Braga, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 10h21

A nítida aceleração da taxa de desemprego em julho para 7,5%, ante 6,9% em junho, permite a projeção de que a taxa de desocupação da População Economicamente Ativa (PEA) poderá superar os dois dígitos ainda em 2015. A avaliação é do assessor econômico da FecomercioSP, Vitor França.

"O dado de julho mostra que os cortes no primeiro semestre não foram suficientes para os empresários se ajustarem à nova realidade da economia", avaliou, ao comentar o resultado do sétimo mês do ano da Pesquisa Mensal do Emprego (PME), divulgada nesta quinta-feira, 20, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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'O dado de julho mostra que os cortes no primeiro semestre não foram suficientes para os empresários se ajustarem à nova realidade da economia' - Vitor França, assessor econômico da FecomercioSP
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Segundo França, o emprego estava "represado" no comércio, já que os empresários esperavam mais sinais sobre o futuro da economia antes de tomarem a decisão de demitir. "À medida que fica mais nítido o cenário e o empregador tomou consciência que a economia não vai crescer tão cedo, ele começou a cortar suas despesas e uma delas, infelizmente, é a mão de obra", afirmou.

Por isso, o assessor econômico da FecomercioSP acredita que o ajuste visto no emprego deve se estender até o final do ano. "O clima ruim no País, a inflação e os juros altos levam os empresários a tomarem atitudes mais drásticas", explicou. França ressaltou ainda que, além do avanço do desemprego, a diminuição da renda dos trabalhadores acaba por afetar ainda mais a economia, especialmente o comércio.

"A crise ainda não chegou no pior momento, pois a deterioração do emprego afetará ainda mais o consumo", estimou. Para ele, este ciclo só será quebrado quando houver uma sinalização de que a situação econômica do Brasil melhorará no futuro.

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