Fed abre espaço para novos cortes da Selic

Parte dos analistas crê que alta do real permite que BC seja mais flexível

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 00h00

A polêmica sobre o rumo da taxa básica de juros brasileira (Selic) voltou a agitar o meio econômico nas últimas semanas. Nesse ambiente, qualquer informação relevante passa a servir de argumento tanto para aqueles que defendem novas reduções da Selic quanto para os que entendem que o Banco Central (BC) deve interromper o ciclo de cortes. A diminuição além da esperada do juro nos EUA, terça-feira, animou os que apostam que o BC tem espaço para derrubar mais a taxa básica. Veja a evolução o juro nos EUAO argumento é o de que a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve fazer com que o real retome a tendência de valorização ante o dólar, o que contribuiria para a desaceleração da inflação. Ontem, o dólar caiu 0,43%, para R$ 1,869, valor mais baixo desde 25 de julho, um dia depois da deflagração da crise global.Essa nova rodada de alta do real ocorreria, em primeiro lugar, porque o juro mais baixo nos Estados Unidos tem levado investidores a sair de aplicações atreladas ao dólar, o que desvaloriza a moeda - é, portanto, uma tendência global.A outra razão é que o arrefecimento da turbulência internacional tende a levar os investidores para aplicações mais arriscadas. O Brasil, como país emergente, é um candidato natural a receber dinheiro, pois ainda tem um dos juros básicos mais elevados do planeta e porque está à beira de receber o grau de investimento (classificação dada pelas agências de risco a emissores de títulos com baixa probabilidade de dar calote).''''O quadro externo é um dos fatores que o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) tem levado em conta para definir a Selic'''', comenta o economista do Banco WestLB Roberto Padovani. ''''Uma melhora tende a fazer o real se valorizar.''''Antes da reunião do Fed, Padovani cogitava alterar sua projeção de cortes para a Selic em 2007. Ele estimava que a taxa básica sofreria duas reduções de 0,25 ponto porcentual nas reuniões do Copom de 16 e 17 de outubro e 4 e 5 de dezembro. Chegaria, assim, a 10,75% ao ano em dezembro. Com a decisão, ele manteve a previsão.O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, vai na mesma linha. ''''A volta da tendência de valorização do real terá impacto positivo nos índices de inflação'''', afirma. A expectativa dele é de que o BC reduzirá mais uma vez a Selic este ano, em 0,25 ponto porcentual.O economista Celso Toledo, da MCM Consultores, faz um contraponto aos colegas. Na avaliação dele, os fatores que têm pressionado os preços no Brasil são fundamentalmente internos. ''''A decisão do Fed é uma dor de cabeça a menos para o BC monitorar, mas não muda nosso cenário'''', diz. A MCM espera que o Copom manterá a Selic nos atuais 11,25% ao ano até, ao menos, meados de 2008.

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