Fed admite adotar mais medidas de incentivo à economia

Comunicado do banco central americano revela preocupação com o[br]ritmo de recuperação da economia dos EUA

, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

WASHINGTON

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ficou mais perto de adotar novas medidas de incentivo à recuperação econômica dos Estados Unidos. Ontem, o Fed informou que continua pronto para dar mais estímulos, expressando preocupação com a inflação baixa.

O Fed não anunciou nenhuma mudança na política monetária no fim de sua reunião de um dia e manteve o juro básico perto de zero, mas deixou a porta mais aberta para injetar mais recursos na economia. "O comitê vai continuar monitorando as perspectivas econômicas e os desenvolvimentos financeiros, e está preparado para fornecer uma política expansionista adicional se necessário para dar suporte à recuperação econômica e à volta da inflação, a níveis consistentes com nosso mandato", disse o banco em comunicado.

A decisão de ontem não foi unânime, e mais uma vez o presidente do Banco do Fed de Kansas City, Thomas Hoening, votou contra a manutenção das taxas de juros perto de zero. Segundo ele, já não é necessário sustentar a expectativa de baixas taxas de juros por um período prolongado, e mantê-las nesse nível prejudicará o crescimento.

Após a reunião de 10 de agosto, o Fed havia afirmado apenas que "empregaria suas ferramentas de política monetária conforme o necessário". A próxima projeção do Fed será divulgada após a reunião de 2 e 3 de novembro.

Os analistas acreditam que o próximo passo do banco central americano será um novo programa de compra de bônus do Tesouro, o que aumentaria ainda mais sua folha de balanço, que tem US$ 2 trilhões em ativos.

Para combater a recessão que começou em dezembro de 2007, e acabou em junho de 2009, o Fed decidiu baixar a mínimos históricos as taxas de juros, além de lançar um programa de compras de títulos hipotecários de US$ 1,7 trilhão. Como não foi suficiente, decidiu reinvestir os recursos obtidos de sua pasta hipotecária na compra de bônus do Tesouro. Agora, essa possibilidade está novamente em debate, como via para impulsionar o crescimento.

Falta o turbo. No comunicado divulgado logo após a reunião, o Fed adiou o anúncio de novas medidas para estimular a recuperação da economia. Mas os membros do Fed indicaram desconforto com os níveis baixos atuais da inflação e disseram esperar que a recuperação da economia dos Estados Unidos de uma profunda recessão será modesta no médio prazo.

O custo de vida nos Estados Unidos subiu 0,3% em agosto e aumentou 1,1% em um ano, segundo o Departamento do Trabalho. A inflação anualizada tinha sido de 1,3% em julho.

"O Fed deu outro passo, ainda que metade de um passo, ao reconhecer a incomum fraqueza da economia e da perspectiva para o emprego e a necessidade de medidas de política (monetária) adicionais", avaliou Mohamed El-Erian, vice-presidente de investimentos da Pacific Investment Management (Pimco).

"Parece que o Fed está mantendo seu pé no pedal do gás da economia, mas não pressionou ainda o botão do turbo", afirmou Burt White, diretor de investimentos da LPL Financial.

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