Jacquelyn Martin/AP
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BC dos EUA pode aumentar juros ainda em 2015, diz Yellen

Presidente do banco central americano afirmou que a elevação dos juros deve ocorrer se a inflação ficar estável e a economia mantiver o vigor para impulsionar o mercado de trabalho

REUTERS

24 Setembro 2015 | 18h30

Atualizado às 20h35 A presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central norte-americano), Janet Yellen, disse nesta quinta-feira, 24, esperar que a autoridade monetária comece a elevar os juros ainda neste ano, contanto que a inflação permaneça estável e a economia norte-americana esteja forte o suficiente para impulsionar o emprego.

Yellen alertou os mercados financeiros de que a decisão do banco central norte-americano na semana passada de manter a taxa de juros perto de zero não significa uma medida de postergação interminável de um aperto monetário.

Ela apresentou na Universidade de Massachusetts, em Amherst, um discurso de 40 páginas, incluindo 40 citações acadêmicas, 34 notas de rodapé, nove gráficos e um apêndice. Perto do fim do discurso, Yellen se sentiu mal e teve que se retirar do palco. Uma porta-voz do banco central afirmou que a causa do mal-estar foi uma desidratação."A presidente Yellen se sentiu desidratada no final de um longo discurso sob forte iluminação", declarou Michelle Smith, porta-voz do Federal Reserve.

A presidente do Fed discursou por aproximadamente 50 minutos quando, de repente, pareceu desorientada em seu texto preparado, pausando a fala diversas vezes, até que finalizou o discurso.

Pressão inflacionária cede. Em sua fala, havia um argumento central de que a folga na economia diminuiu a tal ponto que as pressões da inflação devem começar a gradualmente crescer nos próximos anos."Essas pressões não estão afirmando-se ainda, ela argumentou, porque o dólar forte e os baixos preços do petróleo e das importações estão colocando uma pressão descendente nos preços ao consumidor. À medida que esses problemas diminuírem, ela prevê, a inflação irá gradualmente subir.

"Provavelmente será apropriado elevar a faixa alvo da taxa do Federal Funds em algum momento neste ano e continuar impulsionando taxas de curto prazo em um ritmo gradual depois disso, à medida que o mercado de trabalho melhorar ainda mais e a inflação retornar ao nosso objetivo de 2%", disse Yellen.

"O Fed alerta há meses que espera começar a elevar a taxa de juros esse ano. Os investidores estão começando a duvidar disso, especialmente após o banco central decidir, na semana passada, não agir após semanas de agitação devido a possibilidade de elevação em setembro. Antes do discurso, nos mercados futuros, os operadores apostavam em uma probabilidade de 35% de elevação da taxa de juros antes do final do ano, de acordo com o Chicago Mercantile Exchange.

"É muito difícil para a maioria dos outros bancos centrais operaram com independência em relação ao Fed, especialmente nos mercados emergentes", disse David Hensley, economista da J.P. Morgan, antes do discurso de Yellen. "Ao postergar a elevação, o Fed talvez tenha, involuntariamente, aberto as portas para uma política monetária mais fácil ao redor do mundo por um tempo", comentou. Os comentários de Yellen, entretanto, podem agora alterar esse cálculo.


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