Fed: analistas não mudam projeções para Selic

A redução de 0,5 ponto porcentual na taxa de juros norte-americana - de 5% para 4,5% ao ano -, decidida nessa manhã pelo Fed - Banco Central dos Estados Unidos - (veja mais informações no link abaixo), não alterou a opinião dos analistas sobre as perspectivas para o resultado da reunião mensal do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser anunciado hoje no início da noite. O Comitê discute alteração na Selic, a taxa básica referencial da economia, atualmente em 15,75% ao ano."No dia anterior à reunião passada do Copom, o Fed havia cortado o juro básico norte-americano em 0,5 ponto porcentual. Mesmo assim, o Comitê decidiu elevar a Selic no Brasil em 0,5 ponto porcentual. Essa situação deve se repetir nesse mês", afirma Luiz Rabi, economista-chefe do BicBanco. A decisão do Fed foi tomada em encontro extraordinário, ou seja, fora das reuniões regulares, sendo que a próxima ocorrerá no dia 15 de maio. Para a reunião de hoje do Copom, grande parte das expectativas aponta para uma alta de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros (Selic) - de 15,75% para 16,25% ao ano.De acordo com Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB, ainda há pontos muito duvidosos, tanto no cenário externo quanto interno, o que deve levar o Copom a adotar uma postura mais conservadora. Isso porque as instabilidades, tanto externas quanto internas, tendem a provocar pressão de alta sobre o dólar o que, quando mantida por um período maior, afeta a inflação. "As últimas medidas econômicas na Argentina não devem levar a uma solução para o país, apenas há ganho de tempo. No Brasil, o quadro político também gera incertezas", afirma.Por outro lado, Abate acredita que a redução dos juros nos EUA pode influenciar a magnitude da alta da Selic no Brasil. "Esperava-se uma alta de 0,5 ou 1 ponto porcentual. Com a decisão do Fed, o mais provável é que a alta seja de 0,5", avalia. ConseqüênciasUma queda de juros nos Estados Unidos, aliada a uma possível alta das taxas no Brasil, pode provocar uma entrada maior de recursos estrangeiros no mercado financeiro, já que a diferença entre as duas taxas será maior, ampliando o ganho do investidor que preferir aplicar no mercado brasileiro. Segundo o economista-chefe do Lloyds, trata-se de uma possibilidade muito provável, o que levaria a uma entrada de dólares, e, portanto, de queda das cotações.O comportamento do dólar tem atraído a atenção dos analistas. Isso porque a valorização da moeda norte-americana em relação ao real no acumulado desse ano - 11,94% - tem elevado as perspectivas para os índices de inflação. Dólar mais caro provoca alta nos preços de produtos importados e de produtos brasileiros exportáveis, elevando a inflação. Segundo os especialistas, esse movimento não é imediato e, apesar dos preços já estarem pressionados, apenas a partir de maio o efeito da alta do dólar será sentido com mais intensidade.Porém, mesmo que a cotação da moeda norte-americana de fato recue, os analistas evitam fazer previsões sobre qual o impacto dessa queda nos índices de inflação. Segundo Rabi, a série histórica para a taxa Selic ainda é muito curta - ela foi criada em março de 1999 -, o que dificulta as análises estatísticas sobre a correlação entre dólar, inflação e Selic.

Agencia Estado,

18 de abril de 2001 | 15h01

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